Cross Purposes, Forbidden e o Sabbath dos anos 90

Neste texto faço uma análise dos últimos discos lançados pelo Sabbath na década de 1990.


O contexto histórico

Após lançar os discos Seventh Star, The Eternal Idol, Headless Cross e Tyr na sua carreira solo travestida de Sabbath, Tony Iommi notou que o projeto já havia dado o que tinha que dar e que era hora de tirar o verdadeiro Black Sabbath do ostracismo.

Bastou uma conversa com o Dio para ambos deixarem as picuinhas de lado e, juntamente com Geezer Butler e o batera Vinny Appice, promoverem o triunfal retorno do Sabbath com o pesadíssimo disco Dehumanizer lançado em 1992.

Infelizmente o glorioso retorno durou pouco. No ano seguinte Dio saiu do Sabbath e retomou a sua bem sucedida carreira solo, levando consigo o batera Vinny Appice. Como desta vez Geezer Butler permaneceu na banda, Iommi não deixou a peteca cair e chamou de volta o velho conhecido vocalista Tony Martin, além do tecladista Geoff Nicholls e do batera Bobby Rondinelli para gravar o próximo disco.

Da esquerda para a direita: Tony Martin, Iommi, Bobby Rondinelli e Geezer Butler

Cross Purposes

O resultado foi o disco Cross Purposes lançado em 1994. Neste álbum o Tony Martin deu uma segurada nos estridentes gritos a manteve uma linha vocal mais coesa, marcando o seu melhor trabalho. A parte instrumental é um heavy metal bem “feijão com arroz”: correto e bem tocado, mas sem muitos destaques.
 

Os pontos altos do disco ficam a cargo dos veteranos Iommi e Butler. O primeiro com grandes riffs na faixa de abertura I Witness:


Enquanto que a linha de baixo da Evil Eye (que teve a participação de ninguém menos do que Eddie Van Halen na composição) é linda:


Certamente que o Cross Purposes não é um dos melhores discos do Sabbath. Mas perto do próximo disco de estúdio ele pode ser considerado um ótimo trabalho.

Cross Purposes Live

Esta turnê resultou em um disco ao vivo surpreendente. Afinal de contas, com 2/4 do Sabbath original (Tony Iommi e Geezer Butler) não há como ficar ruim, e o batera Bobby Rondinelli mandou muito bem. 

Quanto ao vocal, por mais que o Tony Martin passe longe dos melhores vocalistas que já estiveram no Sabbath, ele não se furta de cantar músicas de quase todas as fases da banda. E justiça seja feita aqui: mais maduro, ele entrega uma performance muito honesta e até toca gaita na clássica The Wizard! 😲


E até mesmo nas músicas da era Dio ele não compromete:


Enfim, este é um disco ao vivo muito interessante. Vale a pena conferir!

Proibido


Logo após a turnê do Cross Purposes o baixista Geezer Butler sentiu que já era o bastante e pulou fora, assim como o batera Bobby Rondinelli. Para os seus lugares entraram os velhos conhecidos Neil Murray e Cozy Powell.

Da esquerda para a direita: Cozy Powell, Iommi, Tony Martin e Neil Murray

O resultado foi o disco que é amplamente considerado o pior da discografia da banda: o Forbidden, lançado em 1995. 


Para começar, eles tentaram fazer algo parecido com a parceria Aerosmith/Run DMC (na épica Walk This Way) convidando o rapper Ice-T para participar da faixa The Illusion Of Power, mas o resultado não foi lá essas coisas:


De um modo geral o disco padece de uma grande falta de inspiração, até mesmo a máquina de riffs do mestre Iommi estava meio desanimada aqui. Uma honrosa exceção é a Can´t Get Close Enough:


Após a péssima recepção do disco pelo público e crítica o Sabbath encerraria as atividades por um bom tempo. Além de um breve retorno da formação original (com o Ozzy) em 1997 para a gravação do disco ao vivo Reunion, o Sabbath somente lançaria outro disco de estúdio em 2013, o 13. Mas isso é assunto para outra postagem. 😀

Um breve tributo ao Cozy Powell


O batera britânico Cozy Powell foi um dos melhores da sua geração. Iniciou a carreira profissional no lendário Jeff Beck Group no início dos anos 1970, mas foi no Rainbow (grupo do ex-guitarrista do Deep Purple, Ritchie Blackmore) que ele surgiu para o estrelato, tendo participado dos discos mais cultuados do grupo.

Além dos projetos solo do Tony Iommi e do Black Sabbath, após a saída do Rainbow ele virou um nômade da música, com passagens por inúmeros grupos (como o Whitesnake) além da sua banda solo, sempre com um estilo bastante técnico e pesado.

Ele faleceu em 1998 aos 50 anos, devido a um acidente de carro perto da cidade inglesa de Bristol. Certamente deve estar fazendo jams sessions juntamente com o Dio no outro plano. RIP.

Comentários

  1. Cross Purposes é um ótimo álbum sim, especialmente pelo fato de o Geezer Butler estar na banda. Com isso, o baixo, que não tinha destaque nos outros álbuns com o Tony Martin, passou a ser mais marcante. Melhores músicas: I Witness, Cross of Thorns e Dying for Love (as duas baladas) Immaculate Deception (várias mudanças de tempo e refrão marcante), Back to Eden, The hand that rocks the cradle (tecladooo muito bom!).

    Já o Forbidden é a ovelha negra do Black Sabbath, considerado por vários fãs e a crítica como o pior album deles. O Martin disse que o álbum foi feito pelo Sabbath às pressas para fechar contrato com a gravadora, livrarem-se dele e reunirem-se com o Ozzy (lembrando que o Forbidden foi lançado em 1995, a turnê dele estendeu-se por 1996 e a reunião com o Ozzy foi em 1997). Além disso, ainda teve o fato deixarem a produção a cargo de alguém do hip hop (Ernie Cunnigam) e o fato do Martin não saber se o rap do Ice-T iria ser para uma música ou para o album todo. No fim, foi só uma passagem falada no meio da primeira faixa (Illusion of Power), menos mal. Deram pitaco também na bateria do Cozy Powell, que não o deixou satisfeito. A produção do álbum é ruim com um som abafado e instrumentos mal mixados. No fim das contas, as músicas são sem sal em sua maioria, tendo uma ideia boa aqui e ali. Mas tem três músicas nesse álbum que eu gosto bastante: Rusty Angels, Forbidden e (principalmente) Kiss of Death.

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    1. É verdade, depois do The Eternal Idol eles trocaram de gravadora: saíram da Vertigo com a qual estavam desde o começo e foram para a I.R.S.

      O próprio Iommi quebrou o pau com o dono dessa gravadora pela baixíssima divulgação dos álbuns, nas palavras dele parecia que eles não queriam vender os discos.

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    2. Na época, o Iommi falou que os albums que saíram pela IRS eram bem divulgados pela Europa, mas nos EUA os caras mal divulgavam os albuns...

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  2. Ah, esqueci de dizer: a maior vantagem dos shows do Sabbath com o Martin era o fato de que eram tocadas músicas de todas as eras! E eu gostaria de ir num show do Sabbath que tocasse música de todas as fases!

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    1. Recentemente o Iommi disse que não descarta uma futura reunião com o Martin. Quem sabe não rola?

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    2. Li ultimamente que o Iommi falou em lançar um box set da era Tony Martin... Também li que o Iommi achou as fitas originais para remixar o album Born Again... To aguardando o lançamento oficial!

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    3. Rapaz, o Born Again remixado vai ficar fodástico!!!

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