The Eternal Idol e o “Sabbath” oitentista

Continuando na toada do disco anterior Seventh Star, mostrarei mais um trabalho onde o “Black Sabbath” tornou-se uma banda de hard rock típica dos anos 1980.


O contexto histórico

Após a turnê do disco Born Again, o lendário vocalista Ian Gillan partiu para participar do triunfal retorno do Deep Purple em 1984. Novamente sem vocalista, o Black Sabbath tentou continuar com vários ilustres desconhecidos tais como Ron Keel, David Donato e Jeff Fenholt, sem muito sucesso.

De saco cheio de tantas mudanças, o baixista Geezer Butler saiu da banda e assim sobrou apenas o incansável guitarrista Tony Iommi como membro original do Black Sabbath, uma vez que o batera Bill Ward já tinha saído antes mesmo da turnê do Born Again em 1983.

Iommi resolveu dar um tempo no Sabbath e tentar um projeto solo, o que foi recusado pela gravadora que queria manter o nome “Black Sabbath” nos discos para aumentar as vendas. Como o próprio guitarrista disse certa vez em uma entrevista no início dos anos 90:

“Todos os discos lançados depois de 1983 eram para ser trabalhos solo, mas a gravadora exigiu que fosse mantido o nome Black Sabbath. E como eu estava louco para gravar os trabalhos acabaram saindo como se fossem do Sabbath, o que não era verdade”

Assim Iommi partiu para o seu projeto solo e em 1986 lançou o disco Seventh Star, que trazia o também lendário vocalista Glenn Hughes. Porém, na época Glenn estava afundado nas drogas e pulou fora antes do início da turnê, e para cumprir os compromissos Iommi recrutou às pressas o virtualmente desconhecido vocalista americano Ray Gillen, que mandou bem nos shows e foi mantido na banda para o lançamento do próximo disco.

Da esquerda para a direita: Ray Gillen, Eric Singer, Tony Iommi, Dave Spitz e Geoff Nicholls

Uma concepção complicada

Apesar do desempenho de Gillen ter sido muito bom, houve uma treta entre ele e o chefão Iommi logo após as gravações do novo álbum. Como a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, Gillen foi convidado a se retirar e os seus vocais foram apagados das gravações. Para o seu lugar entrou o inexpressivo vocalista britânico Tony Martin, que regravou os vocais.

Os dois Tonys: Martin e Iommi

Após o tumultuado processo de criação, o álbum The Eternal Idol foi finalmente lançado em 1987 e, além do vocalista Tony Martin, trazia o baixista Bob Daisley (que tocou muitos anos na banda solo do Ozzy), o batera Eric Singer e o tecladista Geoff Nicholls, com o big boss Iommi nas seis cordas.


Assim como o antecessor Seventh Star, o The Eternal Idol deve ser encarado como um projeto solo do Iommi e aqui ele continua com a mesma pegada, ou seja, um hard rock tipicamente oitentista. Aqueles que procuram o heavy metal sabbathiano típico certamente ficarão desapontados com este disco.

Abrindo a mente podemos desfrutar de um trabalho muito razoável: de fato há boas faixas, como os hardões The Shining, Hard Life To Love e Glory Ride:



A Eternal Idol é a faixa que mais se aproxima do Sabbath clássico:


Particularmente eu tenho um carinho especial por este disco, pois ele marcou uma fase importante da minha vida e ouvir as suas faixas me transportam instantaneamente de volta a este período. Mas musicalmente ele fica longe dos melhores trabalhos do Sabbath e mesmo do Seventh Star, isto é inegável.

Um breve tributo ao Ray Gillen


Talvez o vocalista mais injustiçado da música pesada, o talentoso Gillen jamais recebeu o reconhecimento que merecia. Após o “Black Sabbath” ele passou por bandas como o Savatage e o Badlands (juntamente com o guitarrista Jake E. Lee, que tocou com o Ozzy), até falecer em 1993 por complicações oriundas da AIDS aos 34 anos. RIP.

No Spotify há a versão “Deluxe” tanto do Seventh Star quanto do The Eternal Idol. No primeiro então os registros ao vivo da turnê com o Gillen nos vocais, enquanto que no segundo estão as gravações originais.

Na minha opinião o Gillen come com farinha o Tony Martin:


Até a próxima!

Comentários

  1. Eu gosto deste disco, mas está longe de ser o melhor do Black Sabbath. Eu acho legal o Sabbath com o Tony Martin pq nessa época eram cantadas músicas de praticamente todas as eras. Eu prefiro os vocais do Ray Gillen neste disco. As melhores músicas são The shining, Ancient Warrior, Lost Forever, Nightmare e Faixa título. No geral, os discos a partir do Seventh Star até o Tyr (e depois Cross Purposes e Forbidden) são Hard Rock mesmo, variando na qualidade, mas todos eles com músicas boas.

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