Seventh Star e o “Sabbath” oitentista

Fazia tempo que eu não escrevia sobre música! Retornando ao tema que também aprecio muito, mostrarei um trabalho no qual o “Black Sabbath” tornou-se uma banda de hard rock típica dos anos 1980.

Da esquerda para a direita: Geoff Nicholls, Tony Iommi, Dave Spitz, Eric Singer e Glenn Hughes

O contexto histórico

Após o período de glória com Ozzy Osbourne na década de 1970, o Sabbath renasceu com o lendário vocalista Ronnie James Dio no início do anos 1980 e produziu os épicos discos Heaven And Hell e Mob Rules. Devido a diferenças entre Dio e Tony Iommi, infelizmente esta formação durou pouco e o Sabbath acabou contratando o não menos lendário vocalista Ian Gillan para lançar o clássico cult Born Again em 1983. 

Em 1984 o guitarrista Ritchie Blackmore resolveu retomar o Deep Purple (que estava inativo desde 1976) e lá foi Gillan ocupar o seu lugar, com o Purple acabando por lançar o também clássico disco Perfect Strangers no mesmo ano. Com isso, o Sabbath estava novamente sem ninguém para segurar o microfone.

A banda testou vários vocalistas inexpressivos, e nomes como Ron Keel, David Donato (este ficou por apenas uma semana!) e Jeff Fenholt já fizeram parte da banda, para vocês terem uma ideia da instabilidade do grupo neste período. De saco cheio da bagunça que o Sabbath havia se tornado, o baixista Geezer Butler também saiu e foi tocar novamente com o Ozzy na sua banda solo - Butler somente retornaria ao Sabbath em 1992 para a gravação do disco Dehumanizer, juntamente com o Dio. Vale lembrar que Bill Ward, o baterista original da banda, já havia saído após a gravação do Born Again em 1983.

O último a sair que apague a luz

Restando só, Tony Iommi resolveu dar um tempo no Sabbath e fazer um projeto solo. Para tanto, ele formou uma banda muito boa: no vocal ficou o lendário Glenn Hughes (outro ex-Deep Purple), no baixo Dave Spitz, na bateria Eric Singer (atualmente no Kiss) e nos teclados Geoff Nicholls.

Como era um projeto solo, Tony procurou sair o máximo possível do estilo do Sabbath e tudo ia bem até a hora de lançar o trabalho, que por pressão da gravadora acabou saindo com o nome “Black Sabbath” no título. Claro que por motivos puramente monetários, pois um disco do mítico Sabbath venderia consideravelmente mais do que um solo do guitarrista Tony Iommi.


Lançado em 1986, o Seventh Star é um trabalho polêmico até hoje. Para apreciá-lo você deve desconsiderar o nome “Black Sabbath” do título e o considerar como um projeto solo do Tony - aqueles que procuram o heavy metal sabbathiano típico certamente ficarão desapontados com este disco.

Conselho dado, os que abrirem a mente desfrutarão de um ótimo disco de hard rock tipicamente oitentista, começando pela faixa de abertura In For The Kill, que mostra o Glenn Hughes em plena forma vocal e a máquina de riffs do Tony a todo vapor:


A música que mais se destacou do disco é a belíssima balada No Stranger To Love, que ganhou até um videoclipe para a então poderosa MTV:


Talvez a faixa que mais se aproxima (vagamente) do Sabbath clássico seja a Heart Like A Wheel, um blues bem arrastado e pesadão:


A lista de faixas é a seguinte:
  1. In For The Kill
  2. No Stranger To Love
  3. Turn To Stone
  4. Sphinx (The Guardian)
  5. Seventh Star
  6. Danger Zone
  7. Heart Like A Wheel
  8. Angry Heart
  9. In Memory...
Houve também uma pequena turnê para a divulgação do disco, que antes mesmo de começar já teve uma baixa: então afundado nas drogas, Glenn Hughes pulou fora do projeto e o virtualmente desconhecido Ray Gillen assumiu os vocais nos shows da turnê.

Embora faça parte do catálogo oficial do Black Sabbath, o Seventh Star nada tem em comum com a rica discografia da lendária banda, o que não faz dele um trabalho ruim de forma alguma: ele é apenas diferente. Recomendado para os apreciadores de música pesada de mente aberta.

Comentários

  1. Aêê, voltou a escrever sobre o Sabbath! haha Seventh Star é um bom disco sim! In for the kill e Turn to Stone são duas porradas certeiras. No Stranger to Love é uma power ballad bem oitentista (a alt. mix dela é melhor porque o baixo é mais alto!)... Gosto bastante da melancólica Angry Heart/In Memory... Um bom disco, mas bem desconhecido.

    O Iommi gravou com o Glenn Hughes o disco DEP Sessions em 1996 (tem bootlegs por aí com o nome de "Eight Star), mas o disco mesmo só foi lançado em 2004. É um baita disco tbm! ^^

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    1. Opa, nunca ouvi esse outro disco com o Glenn. Vou procurar!

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    2. Pode ouvir que é bom! Melhores músicas do Dep Sessions: I'm not the same Man, From another World, It falls through me ;)
      A diferença do booleg Eight Star para a versão final do 1996 Dep Sessions são principalmente o volume do teclado (no Eight Star tem muito mais!), alguns trechos e a qualidade da gravação (óbvio que a DEP Sessions é melhor)!

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