Weekend Fun: montando um AMD K6-2 com o Windows 98 SE

Tirei uma parte deste último final de semana para montar um PC baseado no clássico processador AMD K6-2 na sua versão de 500 Mhz, com o sistema operacional Windows 98 SE e integrado na minha rede interna. A finalidade da montagem deste equipamento será para a manipulação e geração de disquetes de boot, o que é uma necessidade quando se trabalha com equipamentos antigos, visto que nenhum dos meus outros equipamentos  em uso possuem uma controladora de disquete. 

EDIT 02/12/2014: este PC foi atualizado para um AMD Athlon de 600 MHz.

Processador AMD K6-2 de 500 Mhz

O Windows 98 SE foi escolhido como sistema operacional pois muitos utilitários geradores de disquetes de boot, como os existentes no ótimo bootdisk.com, não funcionam corretamente nos Windows com kernel NT por acessarem o hardware diretamente. Já o K6-2 foi selecionado simplesmente em função que é desta série de processadores que tenho mais modelos "repetidos", conforme pode ser visto na minha coleção. :-)

O K6-2 é um processador de concepção convencional, com as seguintes características básicas: 

  • Soquete 7;
  • Frequência do barramento frontal de 100 Mhz (as placas Soquete 7 compatíveis com esta frequência são chamadas de Super 7);
  • 64 KB de memória cache L1;
  • Não possui cache L2 integrado, mas sim utiliza a memória cache presente nas placas Super 7 como L2.

Conforme antecipei na postagem sobre o Athlon, sem dúvida o grande calcanhar de Aquiles dos processadores K6 é o seu fraco co-processador matemático, muito embora para o uso planejado deste equipamento ele não será preponderante. No uso geral, porém, o desempenho dos K6-2 era bastante adequado para a época - futuramente pretendo fazer uma série de postagens especial a respeito destes processadores da AMD, com todos os testes e detalhes.

Montagem e demais componentes

Para completar o conjunto foi utilizada a clássica placa mãe Asus P5S-B, a mesma que foi utilizada no ensaio com a placa de vídeo Voodoo2. Esta placa possui as seguintes características:

  • Super 7 (Soquete 7 com suporte ao barramento frontal de 100 Mhz);
  • Chip ponte norte SiS 530, com vídeo integrado AGP com até 8 MB de memória compartilhada com a RAM;
  • Chip ponte sul SiS 5595;
  • Três soquetes de memória SDR-SDRAM com suporte a até 768 MB;
  • Quatro slots PCI padrão;
  • Dois slots ISA de 16 bits;
  • Duas portas IDE/ATA-100 (UDMA5);
  • Formato Baby-AT.



Foram utilizados também um módulo de memória SDR-SDRAM de 133 Mhz com 128 MB da Samsung, disco rígido Samsung de 5400 rpm e 20 GB, placa de rede Realtek 8139 PCI de 100 Mbps (Fast Ethernet), drive de CD-ROM, drive de disquete de 1,44 MB, teclado e mouse (os dois últimos apenas para a instalação e configuração do sistema). A fonte de alimentação é uma genérica ATX de 300 W (na etiqueta) que foi testada com o meu testador de fontes e não apresentou problema. Também foi utilizado pasta térmica entre o cooler e processador.




Até foi possível fazer um leve overclock no K6-2: subindo o FSB para 105 Mhz, a frequência do processador ficou em 522 Mhz. :-)



A instalação do Windows 98 SE não tem segredos, sendo bastante similar à instalação do Windows 95 que mostrei neste artigo.



Configurando a rede local no Windows 9X/Me

Como este equipamento não terá monitor próprio (assim como teclado e mouse) a sua operação será feita pela rede local, via acesso remoto. A configuração de uma rede local no Windows 95/98/Me possui algumas diferenças em relação ao Windows XP e posteriores - para realizar as operações mostradas a seguir os drivers da placa de rede já deverão estar instalados.

Para que o Windows 9X possa se conectar a uma rede local, apenas o Cliente para redes Microsoft, o protocolo TCP/IP e o serviço de Compartilhamento de arquivos e impressoras para redes Microsoft são necessários, conforme ilustra a figura abaixo (clique para ampliar). Por padrão o TCP/IP vem configurado para obter um IP automaticamente, caso a rede local use IP fixo basta selecionar o protocolo e clicar em Propriedades para fazer o ajuste.



Caso seja necessário, clique no botão Adicionar para incluir algum componente que não esteja listado. Note que a opção Logon primário da rede deve estar ajustado para o Cliente para redes Microsoft.



A aba Identificação permite entrar com o nome do computador na rede e do grupo de trabalho. O Windows 9X possui suporte apenas parcial a domínios.


Já a guia Controle de acesso permite optar pelo controle de permissões no nível de compartilhamento ou no nível de usuário. Como o Windows 9X é praticamente um sistema operacional monousuário e o sistema de arquivos FAT/FAT32 não suporta um controle de permissões avançado (como o NTFS), não faz muito sentido usar o controle por usuário.



Feitos os ajustes, reinicie o Windows quando solicitado.

Compartilhamento e acesso remoto

Não há muito segredo para compartilhar uma pasta no Windows 9X: clique com o botão direito na mesma e selecione compartilhamento. É possível definir um nome para o compartilhamento, o tipo de acesso e caso se deseje definir uma senha.



Por fim, deixo uma dica de software servidor de acesso remoto: depois de muito pesquisar por um compatível com o Windows 9X (que hoje em dia já é peça de museu...) descobri que o TightVNC 1.3.10 é totalmente compatível. Como cliente (que será usado para fazer o acesso) pode ser utilizado o próprio TightVNC ou qualquer outro que utilize o protocolo VNC.

Espero que tenham gostado! Um grande abraço e até a próxima! :-)

Veja também:

Mudanças no meu PC Windows 98
Instalando o Windows 9X/Me do zero (Parte 1 - Particionamento e formatação)

Comentários

  1. Muita legal, Michael... me fez lembrar do meu antigo K6-2 500 e do "lendário" W98 SE! :-)

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  2. Muita legal, Michael... me fez lembrar do meu antigo K6-2 500 e do "lendário" W98 SE! :-)

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    1. Obrigado! Realmente os processadores K6-2 marcaram época, assim como o Windows 98 SE. Bons tempos!

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  3. Pelo menos não é uma M598LMR. ;-) Eu nem lembro direito dessa época. Como era o desempenho do SiS 530 comparado com os ALi e VIA daquele tempo? Uma vaga lembrança me diz que o SiS era lento mesmo em placas de boa qualidade.

    Coloca um NT (2000 faria um par perfeito)! Windows 9x é cruel...

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    1. Sem dúvida foram as M598LMR que trouxeram uma má fama não merecida para os K6-2/III. A Asus P5S-B era bem melhor, mas o maior problema do SiS 530 eram os drivers porcos da SiS, além da falta de um slot AGP (o vídeo onboard do 530 usa internamente a conexão AGP).

      Só coloquei Windows 98 nessa máquina pois muitos dos geradores de disquetes de boot (tais como os disponíveis no bootdisk.com) de sistemas operacionais mais antigos não são compatíveis com o kernel NT, pois fazem acesso direto ao hardware.

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    2. Amigo, eu encontrei esse artigo pois, coincidentemente, eu montei um PC com a mesma placa Asus PS5-B e S.O. Windows 98 :)
      Eu não sou técnico de informática; montei esse PC apenas por curiosidade e por já possui a maioria das peças necessárias. Más, daí eu resolvi adquirir uma placa de som ISA Sound Blaster AWE64 usada e comecei a ter uns problemas: Eu tenho, na verdade, duas PS5-B sendo que uma delas possui som onboard (CMedia). O problema é que o áudio que sai dessa onboard é extremamente baixo e chiado. A mesma coisa aconteceu em relação a SB AWE64 que instalei nas duas motherboard e não aconteceu com outra Aztech 2320, também padrão ISA. O cara que me vendeu me garantiu que a AWE64 estava boa e eu gostaria de usar essa placa no lugar da Aztech (que não tem um som muito bom). Você faz ideia do que pode ser o problema? Valeu pela ajuda\!

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    3. A propósito, eu também acho válida a dica do Windows NT/2000 para essa máquina, más eu só tenho o Windows 98SE de S.O. original. Percebi que depois de remover a integração com o Internet Explorer e atualizar o 98 com os últimos update, o sistema fica estável e bem usável até :).

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    4. Quanto ao problema do som nesta placa, o onboard realmente é péssimo, já a SB AWE64 foi uma placa muito boa no seu tempo e possui uma saída amplificada bem razoável. Partindo do princípio de que a placa esteja realmente boa, você verificou se ela foi corretamente reconhecida pelo Windows (sem algum ponto de exclamação no gerenciador de dispositivos)? Apesar desta placa ser PnP, ela ainda é uma ISA e desta forma não podemos descartar também algum conflito de IRQ e/ou DMA.

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  4. Muito obrigado pelo feedback Michael Rigo. Olha, a placa está instalada e com os drivers corretos. Quanto as IRQs eu já tinha verificado e não há conflitos, sendo que a SB AWE64 usa duas IRQs: 5 e 11. Ainda não verifiquei quanto a DMA: esse tipo de configuração ainda não conhecia. Eu queria usar essa placa à comprar uma PCI para economizar slots PCI, pois a motherboard dispõe de dois slots ISAs sobrando. Más, vou ver se arrumo uma placa de som PCI mesmo. Valeu!

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    1. Se houvesse conflito de DMA o gerenciador de dispositivos do Windows acusaria. Já tentou trocar a placa de slot?

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    2. Ae amigo, só agora que lembrei de voltar aqui. O problema que relatei sobre o som era defeito na própria placa SB AWE64 e resolvi com outra placa SB AWE64 boa que casa muito bem com o Winamp + plugin low-lattence. Eu tenho outra dúvida. Minhas duas PS5-B possuem o processador K6-2 500mhz. Você acha que vale a pena pesquisar/pagar mais pelas versões K6-II+ ou K6-III para melhorar o desempenho gráfico (tenho 1 placa Voodoo2 3D II Monster nova e uma Voodoo4 CT4500 usada ambas PCI)? Obrigado pelo contato!

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    3. Para desempenho gráfico não vale a pena, pois os K6-2+ e K6-III possuem a mesma unidade de ponto flutuante do K6-2 e o cache L2 on-die não faria grande diferença nesta utilização.

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    4. Por sorte eu consegui um K6-2+ com cache L2 on-die e fiz o pequeno upgrade. Percebi uma leve porém notória melhoria de desempenho gráfico. Gostei dos resultados!

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    5. Interessante! Vou procurar obter um processador desse para testar. Obrigado pelo feedback!

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  5. A equipe da saudosa revista PCs usavam uma Asus P5A nos vários testes e benchmarks que faziam. A má fama dos K6-2 era inexistente nessa placa.

    Lembram que o que matava nessas placas baseadas no K6-2 era a sobrecarga do barramento PCI? Já que antes do surgimento dos barramentos dedicados interligando as pontes norte e sul do chipset, todos os subsistemas (portas IDE, som, vídeo e rede integrados, USB, etc) ficavam pendurados no barramento PCI, fora a conexão das próprias placas PCI. Hoje em dia esse barramento fica praticamente ocioso, quando muito dando suporte a placas de rede, talvez um nicho onde as placas PCI ainda sobrevive. Aliás, o barramento PCI está funcional nas placas modernas sem os slots?

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    1. Sim, as placas baseadas no Ali Aladdin V eram as melhores Super 7, pena que na época nunca consegui comprar uma.

      Até a geração do Athlon XP a comunicação entre os chips ponte norte e sul era através do PCI, o que realmente saturava o barramento.

      Nenhum chipset atual suporta o PCI, então nas placas sem slots PCI este barramento simplesmente não existe mais. As placas modernas que oferecem PCI possuem um chip controlador dedicado, que é interligado ao chipset.

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    2. Fala, Michel.

      Cara, posso estar enganado, mas acho que o uso do barramento PCI para interligar os subsistemas foi abandonado já na primeira geração do Athlon (slot A). O barramento V-Link da VIA, por exemplo, surgiu nessa época. Lembrando que posso estar enganado.

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    3. Resolvi refrescar a memória e de fato o V-Link surgiu no meio da geração do soquete A, mais precisamente no chipset KT266 + VT8233. Nesta primeira implementação o V-Link tinha largura de banda de 266 MB/s, o dobro da largura do barramento PCI.

      Desta forma, as placas slot A e mesmo muitas soquete A utilizavam o PCI para comunicação entre os chips ponte norte e ponte sul. Na época haviam também soluções híbridas, como por exemplo o chip ponte norte AMD-750 combinado com o ponte sul Via 686A (slot A, muitas das primeiras placas para Athlon como as Asus K7M), combinação que somente era possível pois era utilizado o PCI para comunicação.

      Mesmo na geração das soquete A com DDR também houve a combinação AMD 760 + Via 686B, igualmente utilizando o PCI, em placas como a Asus A7M266.

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