Nos anos 1990, um PC de jogos era assim (Parte 1 - O Hardware)

Se hoje em dia o mercado de GPUs e placas de vídeo 3D é concentrado apenas nas mãos da Nvidia e da AMD, no final dos anos 90 o cenário era bem diferente! Nesta época, a Nvidia e a ATI (que foi comprada pela AMD em 2006) eram apenas algumas das concorrentes, que incluíam também a 3dfx, Matrox, S3 e Rendition, entre outras. Ou seja, o PC gamer desta época tinha escolhas quase ilimitadas para equipar a sua máquina de jogos!



Provavelmente o primeiro processador gráfico como conhecemos hoje foi o 3dfx Voodoo, lançado em 1996. Na época, seus maiores concorrentes eram os S3 Virge, ATI 3D Rage e o Rendition Verite V1000 - que ofereciam um desempenho inferior ao chip Voodoo em 3D. Além disso, o produto da 3dfx contava ainda com um grande diferencial: a API Glide, que tinha suporte da grande maioria dos jogos da época. A grosso modo, o Glide era uma modificação do OpenGL feita pela 3dfx com grandes otimizações para os seus processadores gráficos, que garantia uma ótima qualidade visual para a época e performance bastante sólida.

Em 1998 a 3dfx lança o Voodoo2, que mantinha a mesma arquitetura básica da sua antecessora porém com uma unidade a mais de processamento de texturas. Convém destacar que os Voodoo 1 e 2 eram processadores apenas 3D - exigindo, desta forma, que uma placa de vídeo tradicional também estivesse instalada no micro para exibir imagens 2D, como a área de trabalho do sistema operacional. Suas principais concorrentes na época eram a ATI Rage Pro, a Nvidia Riva 128 e a Rendition Verite V2200 - que já eram chips 2D/3D.

Além do fato de ser apenas 3D, o Voodoo2 também tinha duas outras limitações: resolução máxima de 640 X 480 e um limite de 16 bits de cores - que não chegavam a ser grandes limitações na época, visto que a maioria dos monitores eram de 13" ou 14". Porém, ele compensava isto com o grande suporte dos jogos à API Glide. Se o jogador da época quisesse ter a certeza de que o seu PC rodaria todos os títulos 3D, o Voodoo2 era disparado a melhor pedida, visto que era o único a suportar as três APIs do mercado: Glide, OpenGL e Direct3D.

Placa de vídeo Creative 3D Blaster Voodoo2

Nesta série de postagens vou procurar reproduzir como era um PC de jogos topo de linha de 1998 baseado no chip gráfico Voodoo2 - no caso, uma placa de vídeo Creative 3D Blaster Voodoo2 PCI com 8 MB de memória de vídeo. Para vocês terem uma ideia de como as placas baseadas neste chip eram cobiçadas, achar uma para comprar com pronta entrega era quase como ganhar na loteria - mesmo em outros mercados como o Paraguai não era fácil encontrá-las. Eu mesmo nunca consegui comprar uma na época.

Como o Voodoo2 é um processador 3D apenas, é necessário manter um sistema de vídeo 2D tradicional no equipamento. A comunicação entre as duas interfaces de vídeo é feita por um cabo DB15 (popularmente conhecido como "VGA") de ponta dupla (macho e fêmea). A ponta macho é conectada na saída da interface de vídeo 2D e a fêmea é conectada na Voodoo2, que também recebe o cabo do monitor de vídeo.


Cabo de ponta dupla DB15


Conexões da Voodoo2

O restante do hardware

Pegando emprestado o DeLorean do Dr. Brown e voltando a 1998, veríamos que um PC de jogos top de linha seria mais ou menos assim:

Processador Intel Pentium MMX. Na foto, um modelo de 233 Mhz.



Placa mãe Soquete 7. No teste foi utilizada uma Asus P5S-B (chipset SiS 530) que na verdade é uma placa Super 7, com suporte ao FSB de 100 MHz.


Sessenta e quatro MB de RAM. Na foto um módulo de memória DIMM SDR - na época eram mais comuns módulos SIMM de 72 vias.


Disco rígido de 2 ou 4 GB. Na foto, um Fujitsu de 2 GB.


Placa de som Creative Sound Blaster AWE64 ISA.


Sistema operacional Windows 95, provavelmente na revisão OSR 2.5 lançada em 1997 (OSR significa OEM Service Release), ou seja, uma revisão aperfeiçoada do Windows feita para integradores de PCs


Complementaria a configuração um drive de CD-ROM, um drive de disquete de 1,44 MB e um monitor CRT de 13", 14" ou 15".

A montagem

A montagem desta máquina, em certos aspectos, não é tão diferente de um sistema atual. A diferença mais marcante é que, ao contrário das placas mães modernas onde as configurações são feitas completamente via BIOS, a grande maioria das placas soquete 7 devem ser configuradas manualmente via jumpers ou dip-switches. E como tais placas suportam geralmente uma infinidade de modelos diferentes de processadores, é importante prestar bastante atenção na sua documentação para efetuar os ajustes corretos - por exemplo, para não torrar um processador se a tensão de alimentação estiver configurada muito acima do seu padrão.

No nosso caso, o Pentium MMX 233 MHz requer os seguintes ajustes: multiplicador de 3,5 X, frequência do barramento frontal (FSB) de 66 MHz e tensão de alimentação de 2,8 V. Uma curiosidade: como esta placa já tem uma certa idade, os clipes prendedores dos módulos de memória ficaram quebradiços e se partiram sem muito esforço (vide seta vermelha). Porém isto não impede que os módulos sejam inseridos e funcionem adequadamente.

Processador instalado e placa mãe configurada via dip-switches (os pequenos conjuntos azuis)

Em seguida, é hora de instalar um cooler no processador, o alto-falante de diagnóstico (buzzer) assim como o módulo de RAM, fonte de alimentação ATX, disco rígido, teclado e os conectores do vídeo onboard (1) e das portas seriais (2) para a conexão do mouse. Feito isto, já é possível ligar o equipamento para testar, que funcionou de primeira! :-)


Em seguida foram acrescentados o drive de CD-ROM, o drive de disquete de 1,44 MB e, é claro, a estrela desta postagem: a gloriosa placa de vídeo Creative 3D Blaster Voodoo2!


Uma vez que esta a placa mãe já possui um chip de vídeo onboard (SiS 530) decidi utilizá-lo em conjunto com a Voodoo2 como sendo o vídeo 2D. Outra curiosidade: a seta vermelha indica o conector que permitia fazer um arranjo SLI (que nesta época referia-se à sigla Scan-Line Interleave - não confundir com o SLI atual) com duas Voodoo2. Faltava conectar a placa de som Creative Sound Blaster AWE64 (o que foi feito na figura abaixo).


O nosso PC de jogos dos anos 90 está quase pronto! Falta agora instalar o sistema operacional, no caso o Windows 95, e efetuar as configurações necessárias. Até lá!

Próximo:
Nos anos 1990, um PC de jogos era assim (Parte 2 - Jogando em Glide)

Veja também:
Games antigos que eu jogo até hoje
O dia em que o meu PC falou

Comentários

  1. Ganhando na mega te compro essa de presente: http://www.ebay.com/itm/3dfx-Voodoo5-5500-64-MB-110-0874-111-Graphics-Card-AGP-BOXED-/201062931376?pt=UK_Computing_Computer_Components_Graphics_Video_TV_Cards_TW&hash=item2ed048dbb0
    hehehe

    Continue postando. Abraço!

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    1. hahahhaha essa foi a top de linha das Voodoo! Mas por quase 170 verdinhas realmente é complicado... um grande abraço e obrigado pelo comentário!

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