RetroTeste – O lendário Intel Celeron 300A

O Celeron 300A foi o primeiro processador x86 a ter o cache L2 integrado no mesmo die do chip principal, e sendo acessado na mesma frequência do núcleo de processamento. Confira a sua análise!


Com o lançamento do Pentium II em 1997, a Intel abandonou a antiga e longeva plataforma soquete 7 em favor da proprietária slot 1. Porém os Pentium II custavam pequenas fortunas na época e assim muitos preferiram continuar no soquete 7, seja com os antecessores Pentium MMX ou com as alternativas da AMD e da Cyrix.

Desta forma fazia-se necessário ter um chip de menor custo para a nova plataforma, e tal demanda foi atendida com o lançamento do Celeron no início de 1998. O problema foi que o seu modelo inicial (também conhecido pelo nome-código Covington) era simplesmente um Pentium II sem os chips discretos de cache L2, o que gerou uma enxurrada de críticas e o surgimento do icônico apelido Lerderon.

Foi apenas no final do mesmo ano que a Intel corrigiu esta mancada com o lançamento do Celeron Mendocino, com o ineditismo de incluir 128 KB de cache L2 no mesmo die da unidade de processamento, sendo acessado na mesma frequência.


Como o modelo de 300 MHz foi lançado com as duas arquiteturas, os chips Mendocino ficaram conhecidos como Celeron 300A.


Notem que, ao contrário do Pentium II, não há os chips de cache discretos ao lado do principal.


Apesar de ter mantido a mesma litografia de 250 nm e a frequência do barramento frontal de 66 MHz do antecessor, o cache L2 integrado fazia os Celeron Mendocino ficarem muito perto dos Pentium II de mesma frequência em performance. Impressionante!


Celeron 450A

A segunda geração das placas-mãe slot 1 trouxe o suporte ao barramento frontal de 100 MHz, o que abriu a possibilidade de um “upgrade” aos proprietários do Celeron 300A: na época bastava alterar a frequência do barramento frontal no setup da placa, salvar e sorrir de orelha a orelha com o massivo aumento de desempenho.


Testes

A placa-mãe slot 1 de testes é a Asus P3V4X, em conjunto com a clássica placa de vídeo 3dfx Voodoo4 4500 PCI usada em todos os ensaios (veja mais detalhes aqui).

Além do Celeron 300A na configuração padrão, os testes incluem uma simulação da versão sem cache L2 (desativando o mesmo no setup da placa) bem como o mito 450A.


Ao menos no rol de testes do blog a versão sem cache L2 não ficou tão atrás. Mas enquanto o 300A fez o esperado e ficou entre os Pentium MMX e os II, o 450A brilhou e colocou no bolso até mesmo o poderoso Pentium II de 400 MHz. Vale lembrar que são inseridos nos gráficos comparativos apenas os resultados obtidos pelos chips na configuração de fábrica.

Até a próxima!

Comentários

  1. Ótima análise, foi uma época de mudanças, Internet cada vez mais se expandindo, cada vez mais pessoas leigas viam motivos pra ter um PC em casa, o PC se tornado (no primeiro mundo) cada vez mais um produto de varejo e não apenas de lojas especializadas, concorrência entre marcas que fizeram os custos e a margem de lucro cair, e o principal, a AMD crescendo lentamente com seus K6s, saindo da condição de vassala da Intel se tornando alternativa mais em conta que os caros Pentium, com suas infinitas tecnologias, e também infinitos preços e margens de lucro.
    Algo me diz que a Intel não deve ter gostado muito de ''rebaixar'' seu principal produto, mesmo pra ganhar mais mercado, a tão excelente Intel estava no topo, botava o preço que quisesse, seus clones dependiam diretamente dela pra produzir algo, o pico do Mont Everest, isso estava prestes a mudar.
    Enfim, a longo prazo, a linha Celeron ajudou muito a Intel a fazer uma faxina em suas linhas e parar de desovar os processadores velhos que estavam jogados no depósito pra vender como entrada, agora, todos tinham a mesma tecnologia mesmo reduzida (apesar dos 486 ainda permanecerem em notebooks de baixo custo até 1998-1999), e no Brasil, e em países emergentes, o nome Celeron foi o principal nome de processador de muitos compradores de PCs de anos atrás, principalmente das massas. Quem lembra do Computador do Milhão? ou Computador das Casas Bahia?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é. Os Celeron sofriam do mesmo mal dos K6 e Cyrix: quase sempre eles eram montados naquelas famigeradas placas PC-Chips de chipset SiS com tudo integrado, e quem levava a culpa eram os processadores.

      Lembro de um teste que a PCs fez uma vez com uma dessas PC-Chips, ela conseguia matar o desempenho até mesmo de um PIII Coppermine.

      Excluir
    2. Lembro disso como se fosse hoje, tive meu primeiro PC um PIII 750 com uma pcchips M755LMR (SIS630) achava muito fraco o desempenho, pude constatar a diferença quando fui na casa de um amigo que tinha um PIII 700 numa Asus P3B-F (440BX) + Voodoo 3000 AGP, logico que não da para comparar o vídeo onboard do sis300 com a voodoo, mas o PIII dele era muito melhor, na época até tentei comprar uma placa mãe nova para PIII, mas era muito caro então resolvi juntar mais grana para comprar um Athlon XP, hoje eu tenho a M755LMR e uma P3V4X e posso ver como uma boa placa mãe fazia a diferença, Bons tempos.

      Excluir
    3. para de falar mal da minha placa pc-chips kkkk ( brincadeira), eu realmente acho ela meio instável, mas também não é inutilizavel, mas ela tem um pentium III de 550 mhz slot 1 rodando a 366mhz, voce acha que isso é normal?

      Excluir
  2. Eu inclusive cogitei comprar um Celeron Slot 1 mais rapido para meu ''primeiro PC próprio'' lá em 2006, porem o Overclock no PII deu tão certo que desisti da idéia, deveria ter comprado um processador desse de reposição, mas nos anos 2000 a alma retro ainda não tinha aflorado em mim.....

    ResponderExcluir
  3. Na época do Pentium III tive um Compaq Presario 5000 que vinha com um Celeron 800MHz! Ele foi o primeiro PC que só eu usava, os anteriores eram divididos com os demais membros da casa. Mesmo com a memória inicial da máquina em 64MB de RAM conseguia um desempenho bom jogando nele na época. Não rodava os games mais pesados da época, mas o que colocava para rodar tinha um desempenho legal (Sim City 3000, The Sims + expansões, MDK, International Rally Championship, etc)! Alguns anos depois paguei para um Técnico instalar 512MB de RAM e um HD adicional de 80GB (nessa época não mexia com Hardware) e fiquei com a máquina até 2008!

    ResponderExcluir
  4. Bons tempos em que o overclock permitia um desempenho muito próximo ao dos processadores mais caros! O problema é que nessa época a maioria das placas-mãe por aí eram da PCChips que não tinham estabilidade nem na frequência padrão, quanto mais em overclock... :( Outro problema era achar fontes de consulta/conhecimento para tirar proveito desta técnica...

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Mais lidas da semana

286 turbinado #6

As idas e voltas da tecnologia

Pentium versus 5x86

Adeus Gotek!