Rebuild #3: juntando-se à Aliança Rebelde (Parte 4 - Overclock)

No quarto episódio da terceira temporada da série Rebuild, exigiremos mais um pouco do honorável AMD K6-III em overclock. Veja aqui como ele se saiu!


Na parte anterior vimos como o K6-III saiu-se na sua frequência padrão de 400 MHz, enquanto que na primeira parte é exibida a sua configuração completa e na segunda foi mostrada a montagem. Agora iremos ver o quanto o K6-III aguenta em overclock.

Primeira parada: 460 MHz

A partir da frequência dos 100 MHz, a Asus P5A permite o incremento do FSB em passos de 5 em 5 MHz até os 120 MHz. Assim subi o mesmo para 115 MHz mantendo o multiplicador 4 padrão do K6-III, resultando em 460 MHz. Para favorecer a estabilidade aumentei a tensão de alimentação do processador para 2,5 V, ou 0,1 V a mais do que a tensão padrão. Nesta tentativa o sistema até que deu vídeo:


Porém ao iniciar o Windows 98 SE é exibida esta mensagem de erro, um indicativo claro de que o sistema não estava estável. Cabe lembrar que com o FSB em 115 MHz o AGP vai para 76 MHz e o PCI para 38 MHz, valores bem acima do padrão que é de 66 e 33 MHz respectivamente, o que também pode ter causado a instabilidade.


Segunda parada: 440 MHz

Assim reduzi o FSB para 110 MHz (AGP em 73 MHz e PCI em 36 MHz) e assim o processador ficou nos 440 MHz. A mensagem de erro de registro desapareceu e a maioria dos benchmarks foram executados nesta frequência, até chegar ao 3DMark 2000 (que trava no meio da execução) e ao Super PI, que exibe a seguinte mensagem de erro:


Última parada: 420 MHz

Para conseguir rodar o 3DMark 2000 e o Super PI tive que reduzir o FSB para 105 MHz, resultando em 420 MHz no processador, 70 MHz no AGP e 35 MHz no PCI.


Benchmarks

Como sempre, abra a página de compilação de benchmarks para comparar os resultados. 😉

Norton System Info 6.01 CPU

Como já expliquei na parte anterior, o NSI 6.01 não é confiável para medir processadores mais novos e assim o seu resultado é mantido apenas por curiosidade.


3DBench 1.0c

O K6-III em overclock teve uma vantagem de 10%.


SpeedSYS 4.78 CPU

A vantagem também ficou na casa dos 10%.


Chris´s 3D

O mesmo cenário repetiu-se no C3D, o que reflete o aumento da frequência de 400 para 440 MHz.


PC-Config 8.20 CPU

Por algum motivo o PC-Config trouxe um resultado completamente sem sentido (valor muito acima do esperado), mesmo eu tendo repetido o teste três vezes. Assim este resultado não foi incluído na tabela comparativa.


Doom (Demo 2 – 320 X 240)

Ganho de quase 8%, acima dos 200 FPS.


Doom II (Demo 2 – 320 X 240)

Ganho de 10%, batendo nos 249 FPS.


Super PI 1M

Como já explicado, neste teste tive que baixar a frequência para 420 MHz e assim o ganho foi de apenas 3%.


Quake (Demo 2 – 320 X 240)

Vantagem de 7%.


GLQuake (Demo 2 – 640 X 480)

Aqui o aumento foi de 9%.


3DMark 99 Max

Os ganhos foram de quase 12% no índice geral e de quase 9% no de CPU.


3DMark 2000 Pro

Este é o outro teste em que tive que reduzir a frequência para 420 MHz, resultando em um desprezível ganho de menos de 3%.


Sandra 99

Nos índices de CPU e FPU o ganho foi de quase 5%, enquanto que na banda de memória não houve variação.



Quake II OpenGL (Demo 2 – 640 X 480)

O ganho foi de mais de 15%, bem razoável.


Quake III OpenGL (Demo 2 – 640 X 480)

Aqui a vantagem foi de 11%.


Unreal Tournament 99 (City intro – 640 X 480)

Neste destruidor de FPU houve o maior ganho, de 18%. Aqui o K6-III atingiu os 25 FPS e assim finalmente este título fica jogável - na época eu também tive que overclockar o K6-III somente para jogar o UT99. Como a placa de vídeo é uma Voodoo3, o teste foi realizado em Glide logicamente.


Conclusão

O que era falado desde 1999 confirma-se aqui: os K6-III tradicionais são péssimos para overclock. Em termos proporcionais, ele é bem pior do que o Pentium MMX e o antecessor K6, os outros processadores soquete 7 já testados pelo blog.

Há um motivo para isto: como trata-se do primeiro AMD com cache L2 on-die, na época a fábrica teve enormes dificuldades de encontrar esta memória cache nas frequências desejadas, o que explica o fato de não ter havido um K6-III para desktops acima dos 450 MHz, e foi o motivo do K6-III custar bem mais do que o K6-2.

Também era notório que havia uma grande quantidade de refugos nos wafers de silício com os K6-III, pois qualquer imperfeição neste cache inutilizava todo o chip.

Comentários

  1. Muito interessante analisar estes resultados porque os ganhos são quase lineares, o que nos leva a imaginar com bastante precisão o comportamento de um K6-III de 450 MHz. Só fica a curiosidade sobre qual o impacto que um cache "L3" maior traria nos resultados.
    Fechou muito bem esse Rebuild #3. Mas será que não teremos uma parte 5 vindo aí? ;)

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    Respostas
    1. Pelo que eu me lembro da revista PCs da época, o L3 dos K6-III dava algo em torno dos 5% de diferença apenas.

      Sim, terá uma parte 5 nas próximas semanas. Também estou começado uma nova montagem retro muito especial, mas essa não será da série Rebuild. :-)

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