sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O Linux completa um quarto de século

Foi exatamente no dia 25 de agosto de 1991, um domingo, que Linus Torvalds fez a divulgação da criação do kernel do Freax, nome que logo depois seria mudado para aquele que hoje é tão aclamado. Conforme as palavras do próprio Linus:


"Inicialmente o nome era Freax, porém a única pessoa que tinha um servidor FTP na Finlândia não gostou e sugeriu Linux, uma junção entre o meu nome e o Minix, no qual o sistema era baseado."


De fato, para ser possível compilar as primeiras versões do Linux era necessário utilizar o Minix, também um sistema Unix-like. A primeira distribuição como conhecemos hoje foi o Slackware, surgido em 1993, e logo o Linux passou a fazer muito sucesso no meio acadêmico e em servidores. O meu primeiro contato com o sistema foi em 1998 com o Conectiva 2.0 Marumbi, epopeia que conto na série Minha experiência pessoal com o Linux.

Xiitismos à parte, o Linux sem dúvida merece muito respeito quer você goste dele ou não. Afinal de contas, ele roda no seu smartphone Android, no seu access point Wi-Fi e em incontáveis servidores - aos que não sabem, servidores Linux são considerados como um dos pilares da Internet moderna. Diante disto, não ter conseguido conquistar os desktops não faz a menor diferença.

Para fechar com chave de ouro, eis o anúncio original feito pelo Linus:


From: torvalds@klaava.Helsinki.FI (Linus Benedict Torvalds)
Newsgroups: comp.os.minix
Subject: What would you like to see most in minix?
Summary: small poll for my new operating system
Message-ID: <1991Aug25.205708.9541@klaava.Helsinki.FI>
Date: 25 Aug 91 20:57:08 GMT
Organization: University of Helsinki

Hello everybody out there using minix –

I’m doing a (free) operating system (just a hobby, won’t be big and
professional like gnu) for 386(486) AT clones. This has been brewing
since april, and is starting to get ready. I’d like any feedback on
things people like/dislike in minix, as my OS resembles it somewhat
(same physical layout of the file-system (due to practical reasons)
among other things).

I’ve currently ported bash(1.08) and gcc(1.40), and things seem to work.
This implies that I’ll get something practical within a few months, and
I’d like to know what features most people would want. Any suggestions
are welcome, but I won’t promise I’ll implement them :-)

Linus (torvalds@kruuna.helsinki.fi)

PS. Yes – it’s free of any minix code, and it has a multi-threaded fs.
It is NOT protable (uses 386 task switching etc), and it probably never
will support anything other than AT-harddisks, as that’s all I have :-(.


Tecla SAP:


"Olá a todos usando minix -

Estou fazendo um (livre) sistema operacional (somente um hobby, não será grande e profissional como o gnu) para o 386 (486) AT clones. Isto está maturando desde abril e está ficando pronto. Gostaria de qualquer feedback de coisas que vocês gostam/desgostam no minix, uma vez que o meu SO assemelha-se a ele (por motivos práticos o layout físico do sistema de arquivos, entre outras coisas).

Atualmente portei o bash (1.08) e o gcc (1.40) e parecem funcionar. Isto implica que terei algo funcional nos próximos meses, e gostaria de saber quais recursos a maioria gostaria de ter. Quaisquer sugestões são bem-vindas, mas não vou prometer que irei implementá-las :-)

Linus (torvalds@kruuna.helsinki.fi)

PS: Sim - é livre de qualquer código do minix, e tem um fs com múltiplos threads. Ele NÃO é portável (utiliza a alternância de tarefas do 386 etc), e provavelmente jamais suportará nada além de discos rígidos AT, pois são tudo o que tenho :-("


Confira aqui a lista de discussão completa. :p

Linus Torvalds na década de 1990


Veja também:
Dica Linux: programando em Shell Script
Criando um pendrive com a imagem de instalação da sua distribuição Linux favorita

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

“Adequação técnica” para a câmera frontal do Moto G2

A câmera frontal do seu Moto G2 deixou de funcionar ao ser acionada, exibindo a mensagem de erro abaixo? Reiniciou o aparelho e não adiantou? Então talvez esta “adequação técnica” (nome chique para a popular gambiarra) possa lhe ajudar e evitar que você enriqueça ainda mais a assistência técnica. Confira!



O erro começou a ocorrer no meu aparelho sempre que a câmera frontal era acionada em qualquer aplicativo. Pois bem, após exaustivas tentativas de solução descobri que o problema ocorre devido a um mau contanto no encaixe da referida câmera à placa mãe do aparelho, causada provavelmente pelos trancos nossos de cada dia.

Importante: logicamente não tenho como me responsabilizar caso algo dê errado. Siga por sua conta e risco! Também não tenho como garantir o funcionamento em todos os aparelhos.

A resolução é simples: desligue o aparelho e remova a capa traseira. Localize a entrada para o cartão SD indicada pela seta e ampliado no detalhe (a câmera frontal fica bem atrás):





Se houver algum cartão, remova-o. Com os dedos faça uma pressão bem na entrada do slot para o cartão SD e segure por alguns segundos. Feito isto, insira novamente o cartão e ligue o aparelho: a câmera frontal deverá funcionar novamente, a pressão fez com que ela se encaixasse novamente à placa mãe.

Agora você pode voltar a tirar as suas selfies numa boa! ;-)

Veja também:

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Como converter uma imagem ESD para WIM

Estava eu criando um pendrive “canivete suíço” que incluiria a instalação do Windows 10 com o Anniversary Update, quando lembrei de que o novo Windows não mais utiliza o formato de imagem WIM, mas sim o ESD, sendo desta forma incompatível com o software WinAIO Maker (veja mais detalhes na postagem referenciada acima). Porém, no Windows 10 é relativamente fácil converter imagens do formato ESD para WIM. Confira!

O primeiro passo é abrir o ISO de instalação do Windows 10, o que pode ser facilmente feito pelo próprio Windows Explorer ou por utilitários como o 7-Zip. Feito isto, copie o arquivo install.esd presente na pasta sources para qualquer outra pasta de sua preferência no disco. Em seguida abra um Prompt de comando como Administrador e navegue até a pasta onde o arquivo foi copiado:



Em seguida devemos verificar quais imagens de instalação estão presentes no arquivo. Para tanto, rode o comando:

dism /Get-WimInfo /WimFile:install.esd

O resultado:




Agora vamos efetuar a conversão propriamente dita. Será utilizada a imagem do Windows 10 Pro, cujo índice é o 1 conforme vimos. O comando de conversão é o seguinte:


dism /Export-Image /SourceImageFile:install.esd /SourceIndex:1 /DestinationImageFile:install.wim /Compress:max /CheckIntegrity


Caso você queira utilizar uma imagem diferente, basta alterar o número do índice no parâmetro SourceIndex. Os parâmetros Compress:max e CheckIntegrity são autoexplicativos. Se tudo der certo, será criado um arquivo install.wim na mesma pasta.




A imagem no formato WIM pode ser facilmente manipulada para a criação de mídias com múltiplas instalações do Windows. A sua criatividade (ou necessidade) é o limite.



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

PCI Express 4.0 anunciado para 2017

No ano que vem chega a próxima revisão do PCI Express, a 4.0. Dentre as principais novidades, estão a taxa de transferência máxima ampliada para 16 GT/s (Gigatransfers por segundo), com uma largura de banda máxima teórica de 1.969 GB/s em cada pista PCIE, o que resultaria em espantosos 31.508 GB/s no caso de uma conexão PCIE 4.0 x16 - resta saber se toda esta força bruta terá alguma utilidade, visto que a especificação 3.0 foi apresentada em 2010 e até agora não disse a que veio.

Uma boa novidade da revisão 4.0 será o aumento da capacidade de fornecimento elétrico. No caso dos slots x16, o mínimo fornecido será de 300 W com pico entre 400 e 500 W, o que permitiria que placas de vídeo topo de linha como as baseadas nas GPUs GTX 1080 (que consome 180 W) e Titan X Pascal (250 W) não necessitassem de um conector de alimentação externo. Para efeito de comparação, a revisão 3.0 suporta apenas 25 W com pico de 75 W no slot x16.

(EDIT 25/08/2016: O PCIE 4.0 continuará fornecendo 75 W no slot).

Em tempo, o PCIE 4.0 usará o mesmo esquema de codificação do 3.0 (128b/130b) e manterá a retrocompatibilidade com placas das revisões anteriores.



Quer saber tudo sobre o funcionamento do PCI Express? Então leia a postagem especial A história dos barramentos de expansão do PC (Parte 6 – PCI Express). ;-)

Veja também:

A insanidade dos preços de hardware no HuehueBr

Estava a fim de incrementar o PC de Captura, que atualmente conta com o processador Celeron G1610 oriundo do meu antigo servidor doméstico, com algum processador mais poderoso visto que em certas situações o Celeron estava “gargalando", principalmente para capturar vídeos em resoluções mais altas tais como 1080p. Pois bem, resolvi procurar um Core i5 2500K ou quem sabe um i7 2600K (ou ainda um 2700K), porém ao pesquisar os preços quase caí da cadeira (os anúncios que selecionei foram com os melhores preços de vendedores com boa reputação):





Curiosamente, este é o mesmo preço que paguei pelo falecido 2600K quando o comprei no final de 2011. Incrível!

Pegando uma carona no assunto, gostaria de compartilhar com vocês mais um anúncio pitoresco de uma grande loja brasileira. Trata-se do kit 3-Way SLI GTX 980 com refrigeração líquida da Gigabyte, o Waterforce. Corram, pois a promoção é por tempo limitado e dá para pagar em 10 suaves parcelas no cartão! :p

Por este valor dá para comprar três GTX 1080 e ainda sobra dinheiro


Enfim, vou me virar com o Celeron mesmo por mais algum tempo. Se alguém tiver um 2500K, 2600K ou 2700K e quiser vender por um bom preço, entre em contato

Veja também:

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O mito 80486 (Parte 9 – O Intel 80486 DX4-S de 100 MHz e benchmarks clássicos)

(A CPU do primeiro exterminador). Na mais nova parte da novela sobre os 486, será analisado o lindo e maravilhoso Intel 80486 DX4-S de 100 MHz – é o processador que equipou o meu primeiro PC próprio. Confira aqui como ele saiu-se em relação aos concorrentes da Cyrix testados até então.

É o último 486 da Intel

O fim está próximo (5): PowerShell Open Source

(Hora de procurar um abrigo nas montanhas). A última da série Deu a Louca na Microsoft: após introduzir o BASH no Windows 10, a empresa decidiu tornar o PowerShell oficialmente um software de código aberto, inclusive com versões para Linux e Mac OS com as mesmas funcionalidades da versão equivalente para Windows. 

Aos que não conhecem, a grosso modo o PowerShell é uma espécie de "Prompt do MS-DOS bombado", ou seja, trata-se de uma interface de linha de comando com suporte a scripts complexos.

Oficialmente o PowerShell para Linux está disponível para as distribuições Ubuntu, Red Hat e CentOS, e no caso do Mac para o OS X El Capitan. O repositório oficial está aqui.



Realmente, a saída do Steve Ballmer (e do anacronismo que marcou sua gestão) foi a melhor coisa que poderia ter acontecido à Microsoft. Vida longa ao Sr. Nadella.

A interface do PowerShell. Qualquer semelhança com o velho e bom
MS-DOS não é mera coincidência
Veja também: