Dicas Debian #3 – Configurando o dual boot

Liberdade acima de tudo! Em alguns cenários pode ser necessário manter o sistema das janelas em dual boot no mesmo PC, o que pode ser feito de forma simples e fácil! 🐧



Antes de iniciarmos os trabalhos, vale lembrar que o processo de criação do pendrive foi mostrado na primeira parte e a instalação do Debian está na segunda parte.

Configuração do dual boot

Em muitas situações pode ser necessário manter o Windows instalado no PC, pois afinal de contas é o sistema operacional mais usado no mundo e muitos desenvolvedores são focados apenas nele. Eu mesmo mantenho o Windows 10 no meu PC basicamente apenas para jogos.

Para demonstrar o processo de configuração do dual boot simulei um PC típico com um disco de 1 TB totalmente alocado para o Windows, como mostrado abaixo:


Importante: embora este processo teoricamente seja não destrutivo, ou seja, sem perda de dados, o velho Murphy sempre pode aparecer e assim é altamente recomendável estar com o backup do disco em dia.

O primeiro passo é abrir espaço para a instalação do Debian, o que pode ser feito pelo gerenciador de disco do Windows. Para tanto, clique com o botão direito na representação da unidade C e selecione diminuir volume:


O espaço que será destinado ao Debian deve ser informado no campo digite o espaço a diminuir em MB. Aqui alocarei aproximadamente 500 GB:


Ele aparecerá como não alocado:


Feito isto, plugue o pendrive com o Debian no PC e inicie a instalação como vimos na segunda parte desta série. Ao chegar no utilitário de particionamento, escolha a opção manual.


No espaço livre do disco devem ser criadas duas partições: uma / para a instalação do sistema (cerca de 80 GB são suficientes) e uma /home com o restante do espaço (na segunda parte mostro em detalhes como criar partições). Note que não é necessário criar uma partição do tipo EFI (no caso de PCs com firmware UEFI), pois o Debian aproveitará a que foi criada pelo Windows.

O resultado deverá ser o mostrado abaixo. Finalize o particionamento para prosseguir com a instalação.


Após o término da instalação o GRUB estará automaticamente configurado para habilitar o dual boot. Maravilha!



Os sistemas de arquivos

A divisão entre o Windows e o Debian Linux no mesmo PC requer também algum planejamento sobre a alocação dos sistemas de arquivos, de modo a ter uma melhor interoperabilidade entre os dois.

NTFS no Linux

Após o surgimento do driver NTFS-3G o uso deste sistema de arquivos no Linux ficou muito mais versátil, pois há suporte também para escrita com total segurança e felizmente hoje em dia todas as principais distribuições trazem o NTFS-3G instalado por padrão.  

Recentemente foi noticiado que o kernel Linux 5.15 trará um novo driver (o NTFS3) que será mantido pela Paragon, o qual propiciará um melhor desempenho e recursos avançados como a manutenção da consistência do sistema de arquivos caso o mesmo não tenha sido desmontado corretamente (veja mais informações aqui). Sem dúvida será um grande benefício aos que optaram por fazer um dual boot no PC.
Partição montada com o NTFS-3G

Desta forma o NTFS é a melhor alternativa para partições que necessitem ser acessadas sem limitações por ambos os sistemas, pois é bem mais seguro do que os antigos sistemas de arquivos FAT/FAT32 e derivados. Uma única observação diz respeito a um recurso implementado pela Microsoft a partir do Windows 8 chamado de inicialização rápida: quando o PC é desligado este recurso faz com que as partições do sistema não sejam desmontadas, mas sim colocadas em um estado semelhante ao do modo de hibernação, o que teoricamente agilizaria o próximo boot (a reinicialização não é afetada).

Por motivos de segurança dos dados armazenados, o atual driver NTFS-3G monta como somente leitura partições que não tenham sido devidamente desmontadas (o novo driver NTFS3 resolverá este problema). Para lidar com isto há duas alternativas: desabilitar o recurso de inicialização rápida no Windows ou então desligar o PC sempre pelo Linux.

Para desabilitar a inicialização rápida, abra o painel de controlehardware e sonsopções de energia. Nesta tela, clique no link escolher a função dos botões de energia:



Então desmarque a caixa ligar inicialização rápida:


ext4 no Windows

Com a ajuda do freeware DiskInternals Linux Reader é possível acessar partições ext4 no Windows, muito embora como somente leitura. 


De qualquer modo é uma mão na roda para acessar arquivos e pastas em partições ext4 sem precisar reiniciar o PC no Linux:



Até a próxima!

Comentários

  1. O ntfs3 ainda precisa de ajustes. Mesmo nas distribuições com kernel 5.15, não é usado automaticamente pelo udisks (daemon responsável por montar volumes para a pilha gráfica), pois há incompatibilidade entre as opções de montagem. Nem todas as opções do ntfs-3g são suportadas no ntfs3 -- algumas até são, porém com nomes diferentes. Esse é o primeiro problema. O segundo, que já era esperado, é que, com maior testagem, bugs aparecem. Já corrigiram pelo menos uma meia dúzia, se a memória não me trai, de travamentos.

    No ciclo do 5.16, a questão das opções de montagem não será alterada. Vamos torcer para quem sabe no 5.17. Daí sim, será muito mais testado.

    Não sei se o ntfs3 monta volumes "hibernados" pelo recurso "inicialização rápida" do Windows. Tem que testar.

    Tenho eterna esperança neste driver Btrfs para Windows:

    https://github.com/maharmstone/btrfs

    Leitura e escrita, nativo (navega no volume pelo Windows Explorer), com desenvolvimento ativo. Contudo, de novo, ainda tem bugs graves, como sob estresse o driver travar e parar de responder (há vários bugs reportados sobre esse problema). Sempre na torcida para estabilizar. Me parece promissor e não tão distante de ser seguro de usar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Todo esse ciclo de testes e ajustes é um dos aspectos fascinantes do Linux e do software livre, sem dúvida!

      Ainda não testei o Btrfs, por enquanto ainda permaneço com o velho e confiável ext4. Mas certamente ele será uma ótima opção num futuro próximo.

      Excluir

Postar um comentário

Mais lidas da semana

RetroTeste – A batalha dos AMD K6-2

286 turbinado #6

Adeus Gotek!