Testando uma Virge

Os chips ViRGE foram os primeiros ditos 3D do mercado, e aqui analisei o modelo inicial lançado pela S3. Confira!


O contexto histórico e características técnicas

Lançado em 1995, o chip ViRGE (Virtual Reality Graphics Engine) foi o sucessor do Trio 32/64 que tinha uma grande participação no mercado de aceleradores 2D. Juntamente com o novo chip a S3 desenvolveu também uma API própria chamada de S3D, que trazia alguns recursos para a geração de ambientes 3D tais como o processamento de texturas, filtragens bilinear e trilinear, correção de perspectiva, dentre outros.

Apesar do pioneirismo, a S3 falhou em cooptar a maioria das produtoras para o uso da sua API e apenas cerca de 20 jogos com suporte ao S3D foram lançados, todos eles para o MS-DOS. Além disto, o timing foi cruel: pouco tempo depois do lançamento, novas APIs 3D chegaram em profusão ao mercado (DirectX, OpenGL e a Glide da 3dfx) o que enterrou ainda mais o S3D e consequentemente os chips ViRGE.

Durante a vida útil do chip a S3 lançou atualizações de drivers que traziam suporte até a versão 5 do DirectX, porém a performance era terrível e havia muitas falhas de renderização. Juntando isto à falta de suporte oficial ao OpenGL, os chips ViRGE acabaram recebendo o nada honroso apelido “desaceleradores 3D” na época.

Por outro lado, em 2D os ViRGE mantiveram a tradição da S3 e eram amplamente considerados os melhores, o que fez vários fabricantes (principalmente os voltados ao mercado OEM) lançarem placas com o chip. Avaliarei aqui a clássica Diamond Stealth 3D 2000.


As suas características técnicas são as seguintes:
  • Chip S3 ViRGE 325 rodando a 55 MHz (o 325 é a revisão inicial do chip);
    • Registradores de 64 bits;
    • Litografia de 500 nm;
    • Suporte ao DirectX 5 e ao S3D;
  • 4 MB de memória EDO rodando a 66 MHz (o padrão do ViRGE é de 55 MHz), com barramento de 64 bits;
  • RAMDAC de 135 MHz;
  • Interface PCI de 32 bits e 33 MHz.

Benchmarks

A placa foi testada em conjunto com o PC Retro Cobaia #1, que consiste em um Athlon Thunderbird de 1200 MHz, placa-mãe Asus A7V133-C, 512 MB de RAM e o Windows 98 SE. Mostrarei primeiro os resultados para depois chegar às conclusões.


Por fora em 2D, bela viola

De fato, a performance 2D do chip é excelente. Comparando com a 3dfx Voodoo4 4500 que é a placa de vídeo oficial de testes, o ViRGE ficou apenas 11% atrás no Chris’s 3D, 15% no Quake e 7% no Quake II, enquanto que no 3DBench e no Doom houve empate técnico (menos de 3% de diferença).

Todos estes testes fazem renderização por software e assim apenas as funções 2D dos chips gráficos são usadas.

Por dentro em 3D, pão bolorento

O ViRGE até conseguiu completar os testes do 3DMark 99 MAX, entretanto com baixíssima performance (94% atrás da Voodoo4) e com muitas falhas de renderização e texturização, como podemos ver na captura abaixo:


Em DirectX este foi o limite do chip, conforme as mensagens do 3DMark 2000 e do Unreal Tournament 99.



Em OpenGL o cenário foi igualmente desanimador. Apesar de não ter suporte oficial o ViRGE executou o GLQuake sem falhas, porém com uma performance patética: na média apenas 2 quadros por segundo (98% atrás da Voodoo4).

Já quaisquer outros jogos em OpenGL não funcionaram, como o Quake III:


Por fim, dentro da perspectiva atual da retro computação a grande vantagem das placas com os chips S3 ViRGE é o custo relativamente baixo. Associadas aos 486 mais rápidos (a partir dos DX2 de 66 MHz) até os Pentium são ótimas opções para rodar jogos 2D para MS-DOS com muito conforto.

Até a próxima!

Comentários

  1. Olha só! Igualzinha a minha!
    Sim, realmente é uma boa opção apenas para um 486. É o meu caso, que pretendo ter o DOS e alguns jogos.
    Uma Voodoo é praticamente impossível comprar hoje em dia, e colocar uma 3D do inicio dos anos 2000 fugiria muito do contexto. Eu usaria uma placa mais moderna apenas para testar o sistema sem gargalo de video.

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    Respostas
    1. Com certeza, a ViRGE é uma ótima opção para os jogos 2D clássicos de DOS. Até com um Pentium clássico acredito que ela vai bem.

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