Projeto Pure AMD (Parte 3 – Overclock total)

No mais novo capítulo do projeto do PC 100% AMD, todos os componentes principais foram colocados para trabalhar acima das suas especificações nominais. Eles funcionaram corretamente? Os ganhos de performance valeram a pena? Confira as respostas aqui!


Recapitulando a série Pure AMD, na primeira parte os componentes foram apresentados e na segunda foi mostrada a montagem. Mas vamos do que interessa! 

Processador

Ao contrário do Ryzen 9 3900X que equipa o Black Power PC e do 2700X do RGB Master, o processador Ryzen 7 1700 responde muito bem em overclock pela sua frequência base ser relativamente baixa, de apenas 3 GHz.

Mas como a placa-mãe Biostar Racing B350 ET2 possui um circuito regulador de tensão mais enxuto e sem dissipadores de calor, é melhor não “aloprar” muito na frequência do processador para não comprometer a estabilidade e a integridade dos componentes, principalmente da placa-mãe. Partindo desta premissa, foi possível colocar o 1700 com todos os núcleos rodando a 3,8 GHz tranquilamente e com uma baixa tensão de alimentação, o que reduz também a dissipação de energia térmica. Excelente!


RAM

Foi a maior decepção do ensaio. O kit Kingston Hyper-X Fury DDR4-2400 chegou a apenas 2733 MHz, não passando disto com estabilidade nem mesmo aumentando as latências e a tensão de alimentação. Talvez em algum outro conjunto de processador e placa-mãe estes módulos rendam mais.


Placa de vídeo

Como a GPU Radeon RX 590 está bem próxima da frequência limite dentre os chips com a microarquitetura Polaris, eu não esperava muito. Mas consegui o resultado visto abaixo (65 MHz a mais no núcleo e 200 MHz a mais na VRAM) sem quaisquer outras alterações, como o Power Limit e a tensão de alimentação. Muito bom!


Resultados

Farei agora alguns comentários sobre o nível de performance alcançado. Primeiramente é bom deixar claro que a RX 590 é uma GPU voltada especificamente para 1080p, e que em resoluções superiores ela sofre como no 3DMark Time Spy que roda em 1440p:


Porém nos outros testes em 1080p o conjunto “turbinado” entregou um desempenho muito satisfatório, como podemos ver nos testes seguintes. Para os interessados em jogar nesta resolução, as placas RX 580 e RX 590 são bastante interessantes, tendo um ótimo custo x benefício se considerarmos a precificação atual (na data em que escrevo, em novembro de 2019).




Mas será que todo este overclock valeu à pena? Os resultados estão compilados na tabela abaixo. A única observação é quanto ao 3DMark 11: por algum motivo que desconheço (talvez alguma atualização bugada), a versão Steam que utilizo deste software parou de funcionar em todas as minhas máquinas. Quando a situação se normalizar atualizarei a postagem.

Tendo em vista que os riscos assumidos com o overclock foram próximos de zero (afinal nenhuma tensão foi alterada), posso afirmar sem medo de errar que os resultados foram muito compensatórios.

Teste Stock Over total Diferença
PCMark 10 (Score) 4936 5524 10,64%
3DMark Time Spy Extreme (Score) 2156 2289 5,81%
3DMark Time Spy (Score) 4883 5239 6,80%
3DMark Fire Strike Ultra (Score) 3464 3495 0,89%
3DMark Fire Strike Extreme (Score) 6475 6742 3,96%
3DMark Fire Strike (Score) 13029 13577 4,04%
3DMark Sky Diver (Score) 31879 34330 7,14%
3DMark 11 (Score) - - -
Cinebench R15 CPU (CB) 1415 1664 14,96%
Cinebench R15 CPU Single Core (CB) 148 154 3,90%
Cinebench R15 OpenGL (FPS) 86,15 90,24 4,53%
CPU-Z Multi Thread (Score) 3951,1 4579,8 13,73%
CPU-Z Single Thread (Score) 394,4 431,8 8,66%
7-Zip Multi Thread (MIPS) 50660 52838 4,12%
7-Zip Single Thread (MIPS) 394,4 431,8 8,66%
Unigine Valley (Score) 2352 2583 8,94%
Unigine Superposition (Score) 8640 9169 5,77%
V-Ray CPU (Segundos) 100 81 -23,46%
Handbrake (Segundos) 473 419 -12,89%

Mas como este PC se comportou frente aos demais já testados no blog, cujos resultados podem ser conferidos na página de benchmarks modernos? Sem nenhuma surpresa, na grande maioria dos testes ele ficou abaixo do Ryzen 7 2700X e bem acima das demais configurações. Rodando na frequência de 3,8 GHz, em alguns testes como o PCMark 10, Cinebench, CPU-Z e V-Ray, o 1700 “bombado” ficou bem próximo do 2700X, o que é uma ótima surpresa.

Conclusão

Como já estamos na terceira geração dos processadores da AMD, chips como o Ryzen 7 1700 começam a ser encontrados por preços muito interessantes no mercado de hardware usado. Visto que este processador consegue rodar a 3,8 GHz em praticamente qualquer placa-mãe (tirando as A320 que não suportam overclock), temos aqui uma ótima opção para montar um PC voltado para a produtividade.

Juntando com as Radeon RX 580 e 590, que também estão com preços muito bons, temos um PC que é capaz de enfrentar qualquer parada em jogos a até 1080p, o que é suficiente para a maior parte das necessidades. É uma configuração com um custo x benefício praticamente imbatível.

Comentários

  1. A AMD é uma empresa única: produz CPUs, GPUs, chipsets, "SSD" e não consigo entender porque vale tão menos que a Intel e Nvidia. Feita minha reclamação, vamos ao que interessa: Que coisa mais linda esse setup totalmente do lado vermelho da força! Parabéns pela iniciativa, foi uma ideia muito legal essa série. Agora pode fazer mais um teste: ver a diferença de desempenho em jogos DX 11 nesse conjunto rodando Windows 7 e o Windows 1909, que foi criada como uma versão voltada a correção de bugs e melhorias no desempenho, além também de testar se o AGESA 1.0.0.4 trará melhorias palpáveis pros processadores antigos, como dito aqui: https://www.reddit.com/r/Amd/comments/dtgutp/an_update_on_the_am4_platform_agesa_1004/.
    Sem mais, parabéns!

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