Publicidade da futilidade

Acho que todos devem estar sabendo da polêmica envolvendo um youtuber que fez um comentário considerado racista sobre um jogador francês. O que mais me impressiona é a quantidade de grandes empresas que faziam campanhas publicitárias com o sujeito.


Primeiramente, em minha opinião (será que ainda podemos ter uma opinião na ditadura do politicamente correto?) o comentário do rapaz não é racista, mas sim apenas uma piadinha de baixíssima qualidade, tanto que nem vou repeti-la aqui. Porém fiquei impressionado com a quantidade de grandes empresas que fazem ou que já fizeram campanhas publicitárias com ele: Itaú, Submarino, Adidas e Coca-Cola.

O que será que essas agências de publicidade (contratadas pelas empresas) consideram como ser um “influenciador”? O número de views e de seguidores apenas e foda-se o resto, principalmente o conteúdo? O escritor italiano Umberto Eco disse certa vez que as redes sociais deram voz à uma legião de imbecis, e vou além: uma legião de imbecis com milhões de seguidores e grandes patrocinadores.

Embora tenha ficado mais visível na era das redes sociais, os patrocinadores de lixo cultural existem desde a idade das TVs analógicas. A TV Cultura que o diga: produtora de conteúdos de altíssimo nível como o Roda Viva, sofre para conseguir anunciantes que preferem exibir as suas marcas em programas para acéfalos, tais como o do cara narigudo ou o do gordo dominical.

A Idiocracia está cada vez mais próxima.

Enfim, perdoem-me o desabafo, mas ver algo assim realmente é revoltante e dá vontade de chutar o balde. Se eu fosse considerar apenas o meu AdSense não haveria motivo algum para continuar ainda mais com as pressões familiares. Mas como gosto do que faço e o meu público também demonstra gostar, continuo. Só não sei até quando.

Informações: Folha de S.Paulo.

Comentários

  1. Tomara que por muito tempo, ainda! Esse site não pode morrer!

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  2. Para a indústria, o correto não interessa muito, desde que resulte em vantagem/retorno. https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/04/politica/1530727099_691325.html

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    1. A indústria gosta é deste tipo de coisa:

      https://g1.globo.com/carros/noticia/conheca-principais-pontos-do-programa-de-incentivo-as-montadoras-o-rota-2030.ghtml

      A primeira pergunta da entrevista é deliciosa. A última sentença da resposta então... 😋

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    2. Se não bastasse o preço caríssimo dos carros ainda teremos que bancar o bolsa montadora. Puta que o pariu!

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  3. "(...) o pré-candidato de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) foi aplaudido ao menos seis vezes ao dizer frases de efeitos - contra a "ideologia de gênero" e contra o "politicamente correto", que incluía a defesa de fazer piadas contra minorias sociais - e quase não apresentou propostas detalhadas para o setor (...)"

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