Narcos (primeira e segunda temporadas)

Dirigida pelo genial José Padilha, seriado mostra de forma crua e sem frescura o submundo dos grandes traficantes. As duas primeiras temporadas contam a história do mais famoso deles, Pablo Escobar.


Quem viu a minha resenha da série O Mecanismo sabe que eu sou fã do diretor José Padilha. Em Narcos ele continua com o mesmo estilo consagrado que iniciou com o primeiro filme Tropa de Elite: a narrativa é feita do ponto de vista de um dos personagens, neste caso pelo agente da DEA (a agência antidrogas dos EUA) Steve Murphy, interpretado pelo ator americano Boyd Holbrook (é incrível a semelhança dele com o agente real!). Sem dúvida é uma das melhoras formas de se contar uma história.

Nas duas primeiras temporadas de Narcos é mostrada a trajetória do mais conhecido traficante de drogas de todos os tempos, Pablo Escobar, brilhantemente interpretado por Wagner Moura. A primeira mostra o seu início do mundo do crime ainda na década de 1970 (ele começou como um contrabandista de mercadorias ilegais para a Colômbia) até ele descobrir a lucratividade da cocaína e as rotas para entrar com a droga nos EUA, criando assim o Cartel de Medellín. A partir daí sua fortuna cresce em progressão geométrica, tanto que no final dos anos 1980 estimava-se que ele seria a sétima pessoa mais rica do mundo - como obviamente ele não depositava o dinheiro no sistema bancário tradicional, não havia como saber ao certo o montante total.

Wagner Moura como Pablo Escobar é um dos destaques da série

Também é exibido com riqueza de detalhes todos os expedientes que ele lançou mão para manter o seu reinado: assassinatos (os de maior repercussão foram o do ministro da justiça colombiano Rodrigo Lara e o do candidato a presidente Luis Carlos Galán), sequestros e atos de terrorismo, como a explosão do voo 203 da Avianca, matando todas as 107 pessoas que estavam no Boeing 727 (entre tripulação e passageiros), além de 3 pessoas no solo.

Como curiosidade, sem ter muitas opções para aplicar o seu dinheiro sujo, Escobar construiu um grande número de casas populares na periferia de Medellín, além de creches, hospitais e mesmo campos de futebol, o que lhe garantiu até o final da vida a proteção e admiração de grande parte das comunidades carentes da cidade, aura que persiste até hoje, mesmo passados mais de vinte anos da sua morte.

Os principais antagonistas de Escobar são os agentes da DEA Steve Murphy e Javier Peña (interpretado pelo chileno-americano Pedro Pascal), que usam de todos as formas possíveis (legais ou não) para tentar acabar com o império de terror do Cartel de Medellín. Também se destaca o coronel linha dura da polícia colombiana Horacio Carillo (interpretado pelo ator americano de origem cubana Maurice Compte), um dos poucos policiais colombianos que não se corromperam ao grupo de Escobar.

Javier Peña e Steve Murphy

Horacio Carillo

Enquanto que a primeira temporada cobre um espaço de tempo de mais de dez anos, a segunda focaliza nos últimos meses de Escobar, quando ele era fortemente perseguido pelos agentes da DEA, pelos policiais não corrompidos e pelo Los Pepes, um grupo de execução criado pelo rival Cartel de Cali que perseguia e assassinava quaisquer pessoas ligadas a ele. A temporada acaba com a sua morte no final de 1993 (como trata-se de um fato histórico, não achei necessário colocar o aviso de spoiler... 😏), que marca o fim do Cartel de Medellín e a transferência do reinado do tráfico para o Cartel de Cali, abordado na terceira temporada.

Vale destacar que, assim como fez na série O Mecanismo, em Narcos José Padilha também fez uso de algumas licenças poéticas, como mudar o nome de alguns personagens e a sequência de alguns eventos históricos, nada que atrapalhe o entendimento da trama e a mensagem transmitida.

Finalizando, apesar da violência mostrada “na lata” sem qualquer suavização, recomendo fortemente a série Narcos a todos. Principalmente aos que já usaram ou usam drogas ilegais, que poderão conferir toda a miséria humana causada pelo seu vício. Espero que aproveitem a jornada.


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