La Casa de Papel (Primeira e segunda temporadas)

Seriado espanhol é a produção em língua não inglesa mais vista da Netflix e virou uma febre mundial. O meu veredicto: é um bom passatempo e nada mais.


Primeiramente deixo um aviso: caso você não tenha assistido a série e tenha interesse em vê-la, não prossiga a leitura pois os spoilers são inevitáveis. Não diga que eu não avisei! 😉

Aviso dado, vamos prosseguir. La Casa de Papel mostra um assalto mirabolante à casa da moeda de Madri, onde cada integrante de um grupo de assaltantes tem um papel bem definido. Em muitos aspectos a série é inspirada no clássico filme Onze Homens e um Segredo de 2001, que traz Brad Pitt, George Clooney e Matt Damon, além de vários outros medalhões de Hollywood.

O que mais prende a atenção é justamente o plano e o objetivo dos ladrões: eles não querem apenas entrar, pegar o que puderem e saírem o mais rápido possível. Eles querem ganhar o máximo de tempo enquanto imprimem todo o dinheiro que desejam. É justamente esse plano que nos prende até o final, para sabermos se eles serão bem-sucedidos ou não.

Há alguns personagens bem carismáticos, a ponto de nos pegarmos torcendo pelos ladrões (mais sobre isto adiante). Cito como exemplo o Professor (mentor de todo o plano, interpretado pelo ator Álvaro Morte), o cínico Berlim (Pedro Alonso) e, é claro, a delícia da Tóquio (a lindíssima Úrsula Corberó). Até mesmo o brutamontes Helsinki (Darko Peric) traz uma dose de empatia. Todos os integrantes da quadrilha têm como apelidos nomes de cidades, o que sem dúvida aumenta a simpatia pelos mesmos.

A linda Úrsula Corberó. Ah se eu fosse mais novo.... rsrs

Mas a série escorrega feio em muitos aspectos, a começar por alguns personagens verdadeiramente caricatos. Cito como exemplo os policiais, um bando de patetas que batem cabeça na série toda – é também por isto que acabamos torcendo pelos ladrões. Há situações completamente forçadas e inverossímeis, como aquela onde uma integrante da quadrilha consegue furar todo um cerco policial em uma moto.

Sem falar de alguns clichês dispensáveis, como o romance do Professor com a investigadora chefe Raquel (Itziar Ituño) que quase põe tudo a perder. O envolvimento do ladrão Denver (Jaime Lorente) com a refém Mônica (Esther Acebo) é outro exemplo e não há síndrome de Estocolmo que justifique isto, ao menos como é mostrado na série. Algumas cenas trazem uma carga dramática exagerada, típica das produções latinas.

Em suma, La Casa de Papel é um drama policial que retrata criminosos nutella bonzinhos (um exemplo de série com criminosos raiz é a Narcos) e policiais bobalhões. É um bom passatempo e nada mais - assista sem maiores expectativas além do simples entretenimento. 

(Aqui entre nós: se você acha que o assalto a uma casa da moeda possa ser um protesto contra o capitalismo, na boa, você precisar ir se tratar).

Em tempo, a série foi originalmente exibida pelo canal espanhol Antena 3 em maio de 2017, e em dezembro do mesmo ano foi adquirida pela Netflix que alterou a quantidade de episódios.


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