Parem o mundo que eu quero descer... de novo!

Notícia de que a Ford americana pretende manter apenas SUVs, picapes e o Mustang em produção a partir de 2020, juntamente com a hipocrisia dos carros elétricos, me faz realmente pensar o quão insosso está ficando este nosso mundo.


Primeiro foi a Alemanha que pretende banir os carros a combustão a partir de 2050, dando início à hipocrisia dos carros elétricos como comentei na postagem Parem o mundo que eu quero descer. Agora é noticiado que a Ford pretende concentrar 90% da sua produção de veículos em SUVs e picapes a partir de 2020, descartando modelos como o Fusion, Focus e Fiesta (mais informações veja aqui).

E pensar que nos anos 1960, 70 e 80 imaginava-se que os carros do futuro seriam compactos e eficientes, justamente o contrário dos que os SUVs são – as picapes ao menos servem para transportar carga. A imagem de abertura desta postagem é do Buick Questor, um carro-conceito de 1983 que mostra exatamente o que se esperava do futuro, sem falar que modelos como o Fusca e o Fiat 500, apenas para citar alguns exemplos, prometiam criar uma tendência que infelizmente ficou no passado.

Exemplo de carro raiz

No cada vez mais caótico trânsito das maiores cidades, carros grandes, pesados, espaçosos e beberrões como os SUVs são um grande (em todos os aspectos) contrassenso. São como o conto do pato, que anda, nada e voa, mas que não faz nada direito: SUVs não são bons para carga, para o off-road, para as congestionadas cidades e mesmo para as estradas, dada a instabilidade gerada pelo seu alto centro de gravidade. Enfim, são uma criação de obesos norte-americanos que inexplicavelmente pegou no mundo todo.

Parece mesmo que em um futuro não tão distante teremos apenas SUVs, e elétricos ainda por cima. Será a hora de rasgar a carteira de habilitação.

Comentários

  1. Não existe hipocrisia nos carros elétricos. As baterias pouco amigáveis ambientalmente já estão em processo de solução tecnológica, a exemplo das baterias de sódio. As políticas que promovem veículos elétricos têm em seu horizonte tecnologias que revolucionarão o mercado energético, tais como a fusão nuclear, além de incentivarem o aperfeiçoamento e implantação de outras fontes renováveis. Mesmo se considerarmos a utilização de combustíveis fósseis, o rendimento das termoelétricas modernas é pelo menos 300% melhor que qualquer motor à combustão interna (um bagulho tecnológico pouco eficiente que só é utilizado em função do lobby petrolífero). Ainda que se considere a solução do etanol, queimar etanol e biomassa em uma termoelétrica é muito mais eficiente que queima-lo no motor do carro.

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    1. Exceto a eólica, que ainda é inviável para gerar energia em larga escala, todas as outras formas de gerar energia elétrica trazem consideráveis impactos ambientais. Quanto às baterias, pode até ser que no futuro consigam desenvolver baterias totalmente limpas, mas as atuais usam metais pesados em um processo de fabricação extremamente poluente, além da baixa durabilidade, configurando desde já um grande problema ambiental.

      Se a premissa dos elétricos é serem ambientalmente corretos, então são sim pura hipocrisia sobre rodas.

      Se deixássemos de lado a gambiarra escrota dos flex, poderíamos ter motores a etanol com uma taxa de compressão de pelo menos 15:1 e injeção direta, o que em conjunto com o catalisador geraria uma poluição quase nula e boa eficiência na queima. Com a proibição das queimadas nos canaviais, a produção da matéria-prima do etanol também ficou com um impacto ambiental bastante reduzido.

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  2. Eu enfrentei o trânsito caótico de outra forma: passei a andar de moto! Só é complicado dia de chuva, mas fora isso só vantagem para quem não precisa carregar carga. Agradeço meu primo, motoqueiro de longa data, que me inspirou a tirar a carteira (adicionar categoria A) e comprar uma motoca ano retrasado. Valeu Fabiano!!!!! Ele *sempre* me dizia que para quem anda bem de bicicleta (meu caso) é a maior barbada. E de fato é. Demorei uns três meses para me soltar. Hoje, é como pegar uma bicicleta com motor.

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    1. Eu se não tivesse criança pequena para deixar e buscar na escola iria trabalhar a pé, dá uns 40 minutos de caminhada e na minha empresa tem lugar para tomar banho. Claro que sempre munido de roupa e calçados para chuva, em Curitiba não é mole! :-)

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  3. Michael, dê uma olhada nesse artigo da Deutche Welle de ontem. Esse é o tipo de pesquisa que a política alemã pra carros elétricos gera. Abraço!

    http://www.dw.com/pt-br/baterias-para-carro-do-futuro-mais-r%C3%A1pidas-e-ecol%C3%B3gicas/av-43780893

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    1. Interessante. Se resolverem o problema das baterias, então realmente uma grande limitação dos carros elétricos será derrubada.

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