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Minha experiência pessoal com o Linux (Parte 2 – Tempos Modernos)

Na primeira parte desta série abordei o início da minha experiência com o sistema operacional do simpático Tux, passando pelas distribuições Conectiva e Mandrake. Prosseguindo com o texto, nesta parte abordarei as distribuições que utilizei nos últimos dez anos e que sem dúvida marcaram época, cada uma do seu modo: Kurumin, Ubuntu, Debian e Xubuntu.


O surgimento do Kurumin

Conforme vimos na primeira parte, até 2002 eu utilizei várias versões do Mandrake Linux. Porém em 2003 surgiu uma distribuição brasileira que foi uma “pequena-grande” revolução para os utilizadores brasileiros de Linux, o Kurumin. Idealizado pelo grande escritor e entusiasta de tecnologia Carlos E. Morimoto, que então era mantenedor do site Guia do Hardware (atual Hardware), o foco do Kurumin era em facilidade de uso, sendo uma porta de entrada para o Linux voltada aos utilizadores menos versados neste sistema operacional. Lembrem-se: nesta época o Ubuntu era apenas um projeto na cabeça do Mark Shuttleworth, logo o Kurumin foi pioneiro em muitos aspectos.


Livros sobre Linux do mestre Morimoto que possuo, os quais me ajudaram bastante

Inicialmente o Kurumin era baseado na distribuição Live-CD Knoppix, que por sua vez era baseada no clássico Debian. Com o Kernel Linux da série 2.4, o Kurumin tinha como gerenciador de janelas principal o KDE 3.

Desktop do Kurumin 4.2 com o KDE 3

Apesar de eu não ser exatamente um novato em Linux, na época achei a proposta do sistema bastante atraente e desta forma em 2003 o Kurumin substituiu o Mandrake como a minha distribuição Linux principal. Por ser voltado principalmente para o usuário principiante, Morimoto desenvolveu uma série de scripts em bash (que é o “prompt de comando” mais utilizado no Linux) que resolviam os principais problemas enfrentados pelos iniciantes, como fazer funcionar a conexão discada (ainda a mais utilizada na época), o plug-in flash do navegador, o driver de vídeo, entre várias outras opções. Morimoto também criou um front-end gráfico para os scripts, que acabou se tornando o painel de controle do Kurumin.

O Clica-aki, o painel de controle do Kurumin, abrigava diversos scrips de configuração do sistema

Utilizei diversas versões do Kurumin até 2005. O sistema continuou evoluindo e a sua última versão oficial (mantida pelo Morimoto) foi a 7, baseada no Debian 4.0 e já com um Kernel da série 2.6, tendo sido descontinuada em 2008. Houve uma tentativa de retomar o sistema por outros desenvolvedores na forma do Kurumin NG (baseado no Ubuntu 8.04), mas que não durou muito tempo e teve um final bastante conturbado.

Kurumin 7, a última versão mantida pelo Morimoto

Migrando para o Ubuntu e o Gnome

No inicio de 2006, apesar do Kurumin estar me atendendo perfeitamente bem, decidi migrar para o Ubuntu (então na versão 5.10) principalmente porque na época eu havia feito um upgrade para um Athlon 64 3200+ (que roda a 2 GHz), placa mãe Asus A8V e 1 GB de RAM DDR-400, em função do Kurumin não ter versão com Kernel de 64 bits.


Foi também a primeira vez que eu me aventurei com o Gnome de um modo mais sério, visto que antes sempre havia utilizado o KDE. Gostei bastante do Gnome 2 e do seu visual mais clean, e este acabou se tornando o meu gerenciador de janelas favorito até que infelizmente ele foi descontinuado em favor do polêmico Gnome 3, do qual não gostei muito.

Ubuntu 5.10 com Gnome 2, a primeira versão do Ubuntu que utilizei

Inicialmente as distribuições com Kernel de 64bits eram bastante espartanas, com muitos problemas de compatibilidade com plug-ins e softwares de 32 bits (me lembro que na época fazer funcionar o plug-in flash de 32 bits no Firefox era um desafio...) mas felizmente a cada nova versão as distribuições (e o Kernel em si) foram melhorando bastante na questão de compatibilidade.

Ubuntu 8.04 LTS - as versões LTS tinham suporte estendido

Permaneci com o Ubuntu até o início de 2009 (versão 8.10) quando decidi me aprofundar em uma das mais clássicas distribuições Linux, o formidável Debian, da qual o próprio Ubuntu é descendente.

Partindo para o Debian

O Debian é considerado uma das três “distribuições-pai” do Linux, sendo o ponto de partida de diversas outras distribuições atuais. Como curiosidade, as outras duas “distribuições-pai” são o Red Hat e o Slackware.


O meu interesse pelo Debian aumentou pois na época estava montando um servidor doméstico de sobra de peças e decidi aplicar nele o Debian, que é um clássico sistema operacional para servidores, e consequentemente acabei o instalando também no meu PC pessoal, inicialmente na versão 5.0 “Lenny” de 64 bits.

Debian 5.0 com o Gnome 2

O Iceweasel é o Firefox do Debian

Em 2011 atualizei para o Debian 6.0 “Squeeze” que matinha o suporte para o Kernel 2.6 e o Gnome 2.X, o qual ainda era o meu gerenciador de janelas favorito.

Debian 6.0, a última versão com Gnome 2

Dentro do seu propósito o Debian 6 foi um dos melhores sistemas operacionais que já usei, mas alguns motivos fizeram com que esta versão fosse a última do Debian que utilizei. O primeiro deles é que por certos fatores eu substituí o sistema operacional do meu servidor pelo Windows Server, o segundo foi os rumos que o gerenciador de janelas Gnome tomou a partir da versão 3 (o que me fez partir para outra alternativa de gerenciador) e finalmente o terceiro fator foi a própria filosofia do Debian.

O Debian é um projeto voltado à estabilidade e confiabilidade total, desta forma seus pacotes são atualizados apenas após exaustivos testes e também de modo a garantir estabilidade possui poucas personalizações. Esta abordagem é perfeita para servidores, porém em estações de trabalho se torna não muito prática. No caso dos pacotes, por exemplo, eles acabam ficando em versões bem desatualizadas – até é possível mudar o repositório, mas o risco de “quebrar” o sistema com pacotes conflitantes é grande.

Desta forma decidi mais uma vez migrar de distribuição.

A volta ao “Ubuntu” com o Xubuntu

O Gnome 3 definitivamente não me agradou, cuja interface na minha opinião é minimalista demais para um PC desktop, onde operações que antes eram simples agora demandavam vários cliques a mais (a partir da versão 3.8 o Gnome trouxe o modo Classic Desktop que lembra bastante o Gnome 2, mas esta opção não estava disponível inicialmente no Gnome 3). Aliás, pelos mesmos motivos também não gosto do gerenciador de janelas Unity do Ubuntu e também da versão inicial do Windows 8.




Debian 7.0 com o Gnome 3

Após pesquisar acabei optando pelo XFCE, que se tornou o meu gerenciador de janelas favorito atualmente pois é leve, muito bem acabado e mantém um estilo mais "desktop style", não aderindo a modernismos voltados a tablets. Escolhi o Xubuntu pois na minha opinião é a distribuição que melhor possui integração com o XFCE, além de manter toda a musculatura e personalizações do Ubuntu (tal como o prático gerenciador de drivers proprietários) e a estrutura do velho e bom Debian, como o gerenciador de pacotes APT com o qual já estou bastante acostumado. 

Desta forma, os artigos sobre Linux aqui do Blog serão feitos no Xubuntu mas funcionarão também no Ubuntu tradicional e muito provavelmente também no Debian.

Xubuntu 14.10 com o ótimo XFCE 4.10, a minha distribuição atual

É isto aí, espero que tenham curtido esta viagem pelo túnel do tempo do Linux! Um forte abraço e até a próxima!

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Comentários

  1. Bacana seu texto. Um flashback para muitos que trilharam esse caminho nessa mesma época. Abandonando o sistema da Redmond, para se aventurar no novo e desconhecido mundo Linux. Certamente o Conectiva Linux mais o Kurumin foram fundamentais para a iniciação e criação de uma legião de usuários que muitos até hoje como eu seguem utilizando GNU Linux nos seus PCs. Hoje vejo está vindo uma nova geração com uma outra visão mas que está novamente levantando a bandeira da independência tecnológica, da liberdade e privacidade/controle dos seus sistemas.

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