Dicas Debian #13 – Virtualização com PCIE Passthrough

Precisa usar um dispositivo PCI Express que não possui driver para Linux? Esta solução pode lhe ajudar! Editado com mais detalhes sobre o desempenho da solução.


O Virt Manager (ou Gerenciador de Máquinas Virtuais na língua de Camões) é uma interface gráfica que permite gerenciar os muitos recursos de virtualização presentes no kernel Linux. Ele está disponível nos repositórios oficiais do Debian.


A sua interface é bastante simples. Para iniciar a configuração de uma máquina virtual clique no botão destacado:


Escolha a opção manual install:


Aqui será instalado o Windows 10. Note que o 11 ainda não é suportado.


Defina a quantidade de RAM e o número de núcleos do processador para a máquina virtual. A minha recomendação é que ambos não ultrapassem a metade das quantidades disponíveis no equipamento físico.


Criaremos agora a pasta para o armazenamento dos discos virtuais. Para tanto clique em gerenciar:


No campo nome defina um apelido para a pasta, no tipo selecione a opção diretório de sistema de arquivo e finalmente clique em navegar para selecionar a pasta que efetivamente abrigará as imagens dos discos virtuais. Clique em concluir para prosseguir.


A interface de gerenciamento será exibida. No painel esquerdo selecione o apelido da pasta que você criou e em seguida clique no botão +:


Personalize a imagem de disco com o nome (que não pode conter espaços) e a capacidade. Deixe desmarcada a caixa allocate entire volume now para a imagem ser alocada dinamicamente e assim poupar espaço no disco físico.


O disco virtual será exibido na lista. Clique em escolher volume:


Clique em avançar:


Defina o nome da máquina virtual (que da mesma forma não pode conter espaços) e o tipo de rede virtual (recomendo o modo NAT). Marque a caixa personalizar a configuração antes da instalação e finalmente clique em concluir.


Será exibida a tela de gerenciamento de hardware, onde é possível definir inúmeras configurações como o chipset virtual e o tipo de firmware (BIOS ou UEFI).


Para o vídeo virtual recomendo o Virtio, o qual é uma tecnologia da Red Hat.


O botão adicionar hardware permite acrescentar ainda mais dispositivos, como uma unidade óptica virtual montada a partir de uma imagem. O procedimento de seleção do arquivo ISO é o mesmo do disco virtual.


É também no botão adicionar hardware que a mágica do PCIE Passthrough acontece: no painel esquerdo selecione dispositivo PCI Host e no direito o dispositivo desejado. Aqui escolherei a minha placa de captura de vídeo AverMedia C127, que não é identificada pelo kernel por não possuir módulos compatíveis.

Em tempo, vale a pena conferir a postagem identificação e monitoramento de hardware para ver todos os detalhes de como visualizar o seu hardware no Debian.


Após a configuração basta iniciar a máquina virtual e proceder com a instalação do sistema operacional, no caso o Windows 10. Em seguida instale os drivers contidos no pacote Virtio-win (que podem ser baixados aqui) para melhorar o desempenho.


Com a instalação dos drivers do fabricante a placa de captura foi reconhecida perfeitamente pelo Windows virtual:


A visualização e a captura de imagens estáticas funcionaram perfeitamente. Entretanto a gravação de vídeos mostrou-se inviável por problema de desempenho, com o vídeo capturado ficando com muitos quadros perdidos (frame drops) e com o áudio fora de sincronia, o que é uma pena.

Edição de 07/05/2022: alocando o arquivo do disco virtual em um SSD solucionou este problema, e os vídeos capturados ficaram sem falhas. Impressionante!

Na web há relatos de muitos que adicionaram uma segunda placa de vídeo ao PC exclusiva para a máquina virtual, de modo a rodar jogos no Windows virtualizado. Em termos de desempenho tenho as minhas dúvidas sobre a viabilidade desta solução, neste caso ainda acho bem melhor recorrer ao Proton/Wine ou mesmo manter o Windows em dual boot.


Não há dúvida que o Virt Manager é uma ótima solução de virtualização com muitos recursos, embora a sua interface ainda precise de melhorias de usabilidade. Acredito que o suporte ao PCIE Passthrough melhorará ainda mais com o tempo e desenvolvimento, assim vale a pena ficarmos de olho e acompanharmos a sua evolução.

Por fim, vale lembrar que todas as postagens sobre o Debian podem ser vistas aqui. Até a próxima!

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