Projeto pinguim superpoderoso (Parte 1 – Planejamento)

Após longos cinco anos, decidi voltar a usar uma distribuição Linux no meu PC de produção no dia-a-dia. Nesta primeira postagem, discorrerei brevemente sobre a distribuição que eu escolhi e o planejamento para a implantação.


Selecionando a distribuição

Apesar de eu ter começado no Linux no Conectiva 2.0 Marumbi em 1998 (que era baseado no Red Hat), eu fiquei mais “craque” no sistema usando distribuições Debian-like, primeiro no saudoso Kurumin do mestre Morimoto, em seguida no Ubuntu e no próprio Debian – veja estas histórias aqui e aqui.

Desta forma, por ter mais desenvoltura em distribuições oriundas do Debian dei preferência às mesmas e, uma vez que elas são muito similares entre si em termos de recursos, farei apenas breves comentários sobre o gerenciador de janelas principal usado por cada uma. Os testes foram feitos em uma máquina virtual do VirtualBox com a mesma configuração básica: quatro núcleos para o processador, 4 GB de RAM e disco virtual de 100 GB.

Ubuntu 19.10

A última versão desta fantástica distribuição traz o kernel Linux 5.3, o Gnome 3.34 e recursos avançados como o algoritmo de compressão LZ4 (que promete um boot mais rápido) e a volta do suporte às bibliotecas x86 de 32 bits.

Talvez agora movido pela tenacidade da experiência adquirida pelas 40 primaveras, achei o Gnome 3.34 um ambiente muito bonito e fluído, e após uma rápida adaptação inicial é possível trabalhar muito bem nele. O engraçado é que quando o Gnome 3 foi lançado achei ele muito “tablet-like”, impressão que foi totalmente desfeita agora.


Xubuntu 19.10

Esta foi a última distribuição que eu usei há cinco anos, e eu gostava muito dela na época. O Xubuntu 19.10 conta com o Xfce 4.14, que agora me pareceu uma interface um tanto quanto datada, que lembra muito os primórdios do Linux. Para PCs mais modestos certamente é uma boa.


Ubuntu MATE 19.10

A Interface MATE (aqui na versão 1.22.2) é um fork e continuação direta do Gnome 2. Ao testar esta distribuição tive a sensação de ter voltado na época em que eu usava o Debian 6, diferindo apenas pela skin padrão do Ubuntu. Entretanto, é uma interface muito bem polida e consolidada, até mesmo pelos muitos anos de desenvolvimento desde a época do Gnome 2. Aos que preferem uma interface mais clássica, considero que o MATE é a melhor opção.


Mint 19.2 Cinnamon

Na minha opinião a interface Cinnamon é bastante parecida com a do Windows 10, sendo assim a mais recomendada aos que estiverem vindo do sistema das janelas pela primeira vez. Além disso, o Mint (que é baseado no Ubuntu) é uma destruição focada nos usuários iniciantes, com um bom conjunto de ferramentas que facilitam a vida dos menos versados no Linux.


E o escolhido é... Ubuntu!

Como eu estava buscando uma disrupção ao que eu vinha usando, fiquei com o Ubuntu pois eu realmente gostei do Gnome 3.34. Menção honrosa para o Mint, a interface Cinnamon é muito bem-feita e a distribuição em si tem um ecossistema muito interessante. Só não fiquei com ela pois eu realmente quero dominar algo diferente.

Planejando a instalação

Como a instalação de um novo sistema operacional envolve alterações na(s) unidade(s) de armazenamento e o velho Murphy nunca pode ser descartado, é bom planejar antes da execução. E, é claro, estar com o backup sempre em dia! 😉

O objetivo é fazer um dual boot entre o Ubuntu 19.10 e o Windows 10, que será usado majoritariamente para jogos. Nada como ter dois dos melhores sistemas operacionais da atualidade diretamente no seu PC!

A questão do AMD RAID

A solução RAID da AMD não tem suporte nativo pelo kernel e tampouco a AMD oferece drivers para Linux. De fato, testei com o Ubuntu no modo Live e os discos SATA (que está configurada como RAID no Setup da placa-mãe) não foram reconhecidos:


Conforme os desenvolvedores, o RAID implementado pelos chipsets (tanto AMD quanto Intel) são na verdade soluções “fake RAID” (o que concordo plenamente), e que o próprio Linux nativamente contém opções mais avançadas para montar arranjos RAID. Assim não há interesse para desenvolver drivers, ainda mais sem a colaboração da AMD.

De qualquer modo, eu estava pensando em abandonar o RAID 0 mesmo se ficasse apenas com o Windows 10, pelo fato do desempenho não ser lá muito superior ao de um disco isolado, pela menor confiabilidade e pelo boot tornar-se bastante demorado devido ao tempo de inicialização do arranjo RAID. Assim os meus dois discos Seagate de 3 TB serão separados.

Samsung 960 EVO de 250 GB

É a minha unidade de boot principal, a qual ficará com a seguinte divisão:


Apesar do PC ter 32 GB de RAM, coloquei mais 16 GB na partição de swap pelo fato de eu rodar várias VMs simultaneamente, assim o sistema operacional não será surpreendido por uma eventual falta de memória.

Kingston A400 de 960 GB

Como este SSD contém os jogos que mais rodo, ele ficará com o sistema de arquivos inalterado.


Seagate 3TB #1

Ficará para armazenar mais jogos, softwares e demais arquivos para o Windows.


Seagate 3TB #2

Conterá a partição /home e todos os demais dados usados no Linux, como as máquinas virtuais.


É isso aí! Na próxima parte demonstrarei as minhas primeiras impressões do Ubuntu como o meu sistema operacional principal. Até lá!

Comentários

  1. Bem vindo de volta ao mundo do Pinguim o/
    Tomei essa decisão de manter os dois sistemas em dual boot, e não me arrependo, foi uma decisão acertada. Porém eu escolhi a versão 18.04 LTS.
    Tenho uma simpatia bem grande pelo Ubuntu, e também pelo OpenSuse. Porém, pra quem vem do universo Windows, considero o Ubuntu muito mais amigável, seja no processo de instalação, ou nos primeiros contatos após a instalação. Abraços Michael, ansioso pela continuação deste projeto.

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  2. Só uma dica sobre a partição de swap: aqui eu criei um arquivo de swap em /boot, não uso uma partição swap, fica mais flexível para aumentar ou diminuir o arquivo swap conforme a necessidade. Com uma partição dedicada fica só com aquele tamanho sempre, desperdiçando espaço. Com o usuário root, rode estes comandos: fallocate -l16G /boot/swap para criar o arquivo com 16GB, depois chmod 600 /boot/swap para mudar as permissoes que um arquivo swap precisa, mkswap /boot/swap para formatá-lo como arquivo swap, editar o arquivo /etc/fstab para adicionar a seguinte linha: /boot/swap none swap sw 0 0 e finalmente swapon -a. Se precisar mudar o tamanho é só rodar um swapoff -a, apagar o arquivo em /boot/swap e repetir o processo com o novo tamanho. Flexibilidade total.

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    1. Valeu pela dica, vale até uma postagem! :-)

      Como faz um certo tempo que "mexo" com o Linux, talvez a partição de swap tenha ficado enraizada no meu subconsciente... rsrsrsrs

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    2. https://caixaseca.blogspot.com/2011/09/particao-swap-nao-obrigado.html

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    3. Outra sugestão: Se tiver verba para isso, instale o máximo de memória RAM que a placa mãe permitir. Aí o uso do swap fica mínimo. E se tiver mais de um HD instalado, é interessante colocar o swap no outro disco.

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    4. Com 32 GB de RAM o swap quase nunca é usado, mas é uma opção para o futuro.
      E bem, o Samsung 960 EVO é muito mais rápido do que o disco mecânico que seria a minha outra opção.

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  3. Eu acho que sou meio “medroso”.
    Instalei o meu linux em dual boot no SSD, mas a partição swap deixei no HDD. Sei que hoje os SSDs são realmente duráveis, e talvez tenha alguma lentidão quando rodar algo pesado.
    Não pude escolher o Ubuntu, pois meu pc já é meio antigo.

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    1. Nos SSDs modernos não há mais esta preocupação. Por exemplo, o Samsung 960 EVO que uso tem um TBW de 100 TB, se eu gravasse 15 GB de dados TODOS OS DIAS nele eu levaria mais de 18 anos para chegar ao valor do TBW... veja:

      https://www.michaelrigo.com/2017/08/unboxing-primeiras-impressoes-ssd-samsung-960evo.html

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  4. É, eu li essa postagem. O meu SSD é um HP de 250 Gb. Ele tem a velocidade de escrita/leitura um pouco mais baixa, mas por outro lado, uma durabilidade incrível. Além do que, tenho 8 Gb de ram, que penso ser confortável para o linux usando o Mate.
    Qualquer hora vou colocar a partição swap no SSD.
    Não sei se alguém pode comentar algo sobre isso, mas certa vez li algo a respeito de que o linux faz uso da swap mais que o necessário, deixando a ram livre desnecessariamente, e isso pode ser alterado. É verdade???

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    1. Aqui em condições normais o uso do swap está em 0%...

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  5. Uma coisa interessante seria fazer um comparativo windows/linux referente a tempo de boot, tempo de abertura de alguns aplicativos, uso de cpu e ram.

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  6. Em 2020 com o fim do suporte ao Windows 7, estou considerando também instalar o Linux (Ubuntu Mate) na máquina com aquele sistema.Vou instalar um HD a mais para isso, deixando o 7 intocado, para alguns jogos e programas ainda sem versão Linux. Se algum dia a situação do Windows melhorar, faço o upgrade.

    Já uso o Ubuntu Mate em outro PC, em tri-boot, sem problemas (Windows, Slackware, Ubuntu Mate).

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  7. O que fiz foi diferente.
    Fiz triboot, mas com 2 windows e um linux.
    Tenho um windows 7 no HD para o dia a dia com um monte de tranqueiras, outro no SSD com minha conta no Steam e programa para edição de imagens, e que tento manter limpo, e o Mint Mate também no SSD. Tenho backup dos dois windows e penso que como estão no mesmo computador, apenas um pode ser acessado por vez, não deve ser ilegal. Um seria backup do outro, e caso um der pau, o outro está ok.
    Após o fim do suporte, usarei cada vez mais o linux para navegar na internet.
    Já no meu velho pentium 233 de passatempo tenho o windows XP, e vou tentar instalar o Debian com kernel antigo, ou talvez o Slak.

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