RIP Revista Mad

O mundo está cada vez mais chato e insosso: lendária pelo seu humor ácido e politicamente incorreto, a revista Mad americana não será mais publicada com conteúdo inédito. A brasileira já havia acabado em 2017.


Alfred E. Neuman, o símbolo da revista, fez parte da minha infância e adolescência e tem um lugar especial nas minhas memórias. Incontáveis foram as vezes que eu gargalhei com as ilustrações dele, muitas vezes em referência a alguma personalidade da época:


Filmes, séries e programas de TV também não escapavam:


A Mad conseguia fazer humor até mesmo com as coisas mais repugnantes e desagradáveis, como o plano Collor que roubou tomou emprestado compulsoriamente o dinheiro dos pobres brasileiros que ainda conseguiam poupar alguma coisa, eu incluso. Incrível!


No Brasil ela quase sempre foi produzida pelo grande cartunista Ota (mais precisamente de 1974 a 2008), que juntamente com um grande time de cartunistas (tais como o Sérgio Aragonês, Vilmar e muitos outros) criava conteúdos locais para complementar os que vinham da edição americana. E nos EUA também havia a Mad TV! Quem não se lembra deste clássico da era pré-Youtube?


A revista também sempre foi marcada pelo seu conteúdo politicamente incorreto ao extremo, até mesmo para os padrões dos anos 80 e 90. Imaginem uma capa dessa hoje, com a geração mimimi e a turminha da lacração? Ia chover processos, no mínimo!


O triste fim da Mad me trouxe uma reflexão: vira e mexe eu vejo artigos que dizem que se você comer capim salada todos os dias e não beber poderá aumentar a sua expectativa de vida em “várias décadas”, mas qual é a vantagem de estender a permanência nesse mundo sem graça? Melhor eu ficar com as minhas cervejas e churrascos, ao menos enquanto não proibirem.

Enfim, considerada como a maior revista humorística do mundo, a Mad infelizmente sucumbiu ao politicamente chato e ao “humor” insosso padrão Zorra Total. Descanse em paz, Alfred E. Neuman. Você fez muito!

Fonte: BBC.

Comentários

  1. Boa! Saudades do tempo sem o "hipocritamente correto"

    ResponderExcluir
  2. Mais uma coisa boa que se vai...
    Parece que estamos vivendo em um mundo cada vez mais sintético e sem graça.
    Como era bom ter sido criança e ter brincado na terra, espetado prego no dedo, enfiar o dedo na tomada varias vezes, e mais tarde, também ter lido a Mad.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. No meu caso, andar de bicicleta pela cidade inteira (eu morava em uma cidade pequena, mas tá valendo), tomar banho no rio, jogar futebol na rua, comer fruta no pé, além de muitas outras coisas que a minha mãe até hoje nem imagina que eu fazia. Tudo isso é algo que essa geração apartamento com carpete nem sonha em fazer.

      E, é claro, sempre passava na banca para ver se tinha Mad nova, para comprar com o dinheiro que eu ganhava por ter carpido o quintal.

      Excluir
  3. O problema não é o mundo estar ficando chato e insosso, o problema é que não podemos fugir dele para construir um novo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é. Estou pensando em me candidatar para a missão de colonização da Lua que o tio Trump está fazendo. É só ter uma Internet boa (o que não é lá muito difícil...) e fechou!

      Excluir
    2. Os astronautas da Apollo diziam que a paisagem era maravilhosa. Via-se estrelas até de olhos fechados... rsrs...

      Excluir
    3. No entanto, acredito que você não conseguirá um lugar naquela nave. A cápsula Orion leva quatro tripulantes. Um a Nasa já avisou que tem que ser mulher. A continuar a tendência politicamente correta, o segundo deverá ser obrigatoriamente afro-descendente e o terceiro, LGBT. Sobra uma vaga, que precisa ser ocupada por algum astronauta de verdade, para o caso do foguete chegar a sair do chão.

      Excluir

Postar um comentário