Steve Jobs

Steve Jobs, lançado em 2015, é a segunda produção sobre o lendário cofundador da Apple feita após a sua morte em 2011. Veja o que eu achei do filme, que foi inspirado na biografia de Walter Isaacson.


Ao contrário do filme com Ashton Kutcher lançado em 2013, em que quase toda a biografia do Steve Jobs é mostrada (em alguns pontos com uma velocidade elevada e de forma superficial), na presente produção são usados como pano de fundo três eventos para mostrar a sua personalidade: o lançamento do primeiro Macintosh em 1984, o do computador NeXT em 1988 (após ele ter sido afastado da Apple) e finalmente a apresentação do primeiro iMac em 1998, com Jobs de volta à empresa que cofundou ao lado do grande Steve Wozniak, esse sim o verdadeiro gênio da Apple.


Além da diferença na narrativa, também é notável que fisicamente Ashton Kutcher é muito mais parecido com o Steve Jobs do que Michael Fassbender, que por seu lado compensa a desvantagem física com uma interpretação muito mais intensa, bem mais próxima da personalidade forte de Jobs.

Michael Fassbender fisicamente é bem diferente de Jobs

Em cada um destes eventos é mostrado um conflito diferente de Jobs. No lançamento do Macintosh em 1984 foi com a mãe da sua filha Lisa (que ele ainda relutava em reconhecer) e com o antigo parceiro de garagem Steve Wozniak (bem interpretado por Seth Rogen), que de forma justa pedia para o amigo fazer uma simples menção ao Apple II, o único computador da Apple que realmente vendia e que de fato pagava as contas da empresa (o Lisa, lançado em 1983, foi um fracasso de vendas como o próprio Macintosh viria a ser).

Os dois Steve

No lançamento do computador NeXT em 1988 o pau quebrou com John Sculley (em grande interpretação de Jeff Daniels), CEO da Apple que foi colocado no cargo pelo próprio Jobs e que viria a induzir o conselho de acionistas da empresa a votar pelo seu afastamento. Este é um dos poucos conflitos de Jobs em que ficamos do seu lado e sentimos a sua dor, realmente não devia ter sido fácil para um homem como ele, ardentemente apaixonado pelo que fazia e pela empresa que ajudou a fundar, ser apunhalado pelas costas por um executivo burocrata como Sculley.

John Sculley

Já no terceiro ato, o lançamento do iMac em 1998, Jobs voltou a negar a fazer uma justa homenagem ao Apple II (para novo desgosto do ex-parceiro Wozniak), porém reconciliou-se com a filha Lisa e até mesmo com John Sculley, que por sua vez havia sido chutado da Apple. Em todos os atos o contraponto de Jobs é a sua assistente de marketing Joanna Hoffman (bem interpretada pela bela Kate Winslet), a única pessoa que, além de não se abalar com a forte personalidade de Jobs, também conseguia colocar limites em muitos dos devaneios do patrão.

Steve e Joanna

Indubitavelmente esta produção é emocionalmente bem mais intensa do que o filme de 2013. Muitos críticos citam como ponto negativo o excesso de diálogos, o que veementemente discordo: esta é a melhor forma de explorar uma personalidade complexa como a de Jobs, que foi justamente onde o filme com Ashton Kutcher falhou, pois faltou uma maior profundidade nos muitos temas abordados. O fato desta produção ter se focado em três momentos da vida de Jobs mostrou-se um grande acerto, permitindo assim que a sua personalidade pudesse ser melhor apresentada.

Por fim, quem é o melhor Steve Jobs? Ashton Kutcher ou Michael Fassbender? Na opinião deste modesto blogueiro, nenhum dos dois. A melhor interpretação de Jobs feita até hoje é a de Noah Wyle, do clássico cult Piratas do Vale do Silício.

Comentários

  1. É, realmente Piratas do Vale do Silicio foi um filme que gostaria de ter em DVD pra assistir de vez em quando. Foi um filmão!
    Vixi! Meu lado nerd! 😄
    Outro filme que gostei foi “O jogo da imitação” historia de Alan Turing, que na segunda grande guerra trabalha no desenvolvimento de uma máquina para decifrar as mensagens criptografadas dos alemães. Na verdade, pode-se dizer que foi o primeiro computador mecânico, sendo que Alan Turing ficou famoso pelo conceito da maquina de Turing, um modelo abstrato de computador.
    O filme tem algumas distorções com a realidade historica, mas é interessante.

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    Respostas
    1. A primeira vez que assisti o Piratas do Vale do Silício foi em VHS. Wow!

      Além do já citado Noah Wyle, também me impressionaram as atuações dos atores que fizeram o Bill Gates e o Steve Ballmer. Ficaram perfeitos!

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