O melhor disco ao vivo do Iron Maiden

A extensa discografia da donzela de ferro é repleta de discos ao vivo que se tornaram lendas. Mas em minha opinião o melhor deles não recebeu o destaque que merecia e até hoje é um item obscuro no catálogo da banda.


Devo admitir que tenho uma queda pelo Iron Maiden por um simples motivo: foi o disco Seventh Son Of A Seventh Son que em 1988 me apresentou ao Heavy Metal, devidamente gravado em uma fita cassete que ouvi até quase derreter.

A banda também é famosa por ter produzido discos ao vivo muito aclamados, tais como o Live After Death (1985), o Maiden England (1988), o Rock In Rio (2001) e até o Flight 666 (2008). Porém para mim o melhor registro ao vivo do grupo é um disco que até recentemente jamais havia visto a luz do dia (ao menos oficialmente, pois rolaram vários bootlegs dele ao longo dos anos), o Beast Over Hammersmith.


Gravado no famoso Hammersmith Odeon em março de 1982 (antes mesmo do lançamento do The Number Of The Beast), este disco para mim é insuperável por alguns motivos:

  • Bruce na ponta dos cascos: o cara havia acabado de entrar e queria mostrar serviço, sem falar que contava apenas 24 primaveras e assim o gogó estava 100% - no Live After Death sua voz já apresentava algum cansaço devido à intensa maratona de shows da World Slavery Tour.
  • Clive Burr: nada contra o Nicko, o cara é gente fina pra caramba e tem até mais técnica, mas o saudoso Clive tinha uma pegada marcante, com uma levada seca, pesada e agressiva, perfeita para o Maiden daquela época. Foi um batera único, sem dúvida uma grande perda para a música como um todo.
  • Adrian e Dave: o timbre das guitarras dos caras estava insano nesses shows, algo que jamais repetiram nos anos posteriores. Em minha opinião formam a melhor dupla de guitarristas de todos os tempos.
  • Setlist: além de tocarem o disco The Number Of The Beast quase na íntegra (além do ótimo B-Side Total Eclipse), as músicas da era DiAnno são um destaque absoluto – ouvir pérolas como Killers, Wrathchild, Phantom Of The Opera e Murders In The Rue Morgue na voz do Bruce de 1982 é um enorme prazer sonoro.

Da esquerda para a direita: Adrian Smith (guitarra), Steve Harris (baixo), Bruce Dickinson (vocal), Clive Burr (bateria) e Dave Murray (guitarra)

Porém na época a banda (leia-se Steve Harris) achou que o som das gravações não era bom o bastante e o álbum não foi lançado, ficando no limbo por vinte anos até o lançamento do box Eddie´s Archive em 2002. Aqui eu discordo do Stevão: apesar de não terem o mesmo refinamento do Live After Death (apenas para citar um exemplo), estas gravações registraram uma formação única da banda e tem um peso absurdo, fatores que compensam com sobras as pequenas deficiências técnicas do áudio.

O palco da turnê Beast On The Road era simples, mas espetacular

O tracklist desta obra-prima é o seguinte:

Disco 1
1. Murders In The Rue Morgue
2. Wrathchild
3. Run To The Hills
4. Children Of The Damned
5. The Number Of The Beast
6. Another Life
7. Killers
8. 22 Acacia Avenue
9. Total Eclipse

Disco 2
1. Transylvania
2. The Prisoner
3. Hallowed Be Thy Name
4. Phantom Of The Opera
5. Iron Maiden
6. Sanctuary
7. Drifter
8. Running Free
9. Prowler

Enfim, corram atrás que vale imensamente a pena, seja de forma oficial ou não (para bons entendedores…), visto que o Eddie´s Archive custa aqui no Huezil uma pequena fortuna.

Será que existe algo que não seja caro nesta porra de país?

Finalizando, deixo um pequeno aperitivo para dar água na boca:


Comentários

  1. O Iron Maiden já era incrível antes de eu nascer... Hoje, com 30 anos eles continuam inigualáveis, apesar de eu dividir minha paixão pelo Iron com o Megadeth, medo de um mundo sem esses caras, pois na minha humilde opinião não existe uma banda jovem com o mesmo talento. Ótimo post!

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    1. Apesar de algumas fases menos inspiradas (principalmente na década de 1990), sem dúvida o Maiden continua muito relevante até hoje. O último disco, o Book Of Souls, é de um bom gosto extremo.

      Quanto ao Megadeth, não sou um grande conhecedor da discografia da banda, mas esse último disco (o Dystopia) com o Kiko Loureiro ficou foda demais!

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