Intel deseja matar o CSM até 2020

No firmware UEFI existe um módulo de compatibilidade chamado de CSM, o qual permite que dispositivos e softwares de legado funcionem em sistemas modernos. A Intel deseja acabar com este módulo em até três anos.


Criado pela IBM para os primeiros PCs, o BIOS (Basic Input/Output System) é a primeira camada de software que faz interface com o hardware. Quando o PC é ligado é ele que faz os testes básicos para assegurar o funcionamento do sistema, como o da RAM instalada, dos dispositivos de armazenamento e de demais componentes.

Apesar de ter passado por constantes aprimoramentos ao longo dos anos, o BIOS jamais deixou de ser um software de 16 bits que roda no modo real. Desta forma, ao executar o BIOS mesmo um moderno Core i7 comporta-se exatamente como um 8086/8088 (embora infinitamente mais rápido, logicamente). Além disto, conforme os PCs foram evoluindo, muitas das limitações do BIOS ficaram evidentes, tais como aquelas relacionadas às unidades de armazenamento (limitação de tamanho) e a falta de opções avançadas de segurança (como o secure boot).

Em face a estas limitações, foi desenvolvido um novo tipo de firmware denominado de UEFI (Unified Extensible Firmware Interface) que traz como principais vantagens o fato de ser completamente modular e independente da arquitetura do processador: por exemplo, o UEFI pode ser baseado nas arquiteturas x86 e x86-64, apenas para citar as mais utilizadas nos PCs.

Sem dúvida o UEFI substitui o BIOS tradicional com inúmeras vantagens. Porém dispositivos mais antigos e softwares que usam apenas chamadas do BIOS não são compatíveis com o UEFI, tais como placas de vídeo, de rede e de armazenamento (um exemplo é a controladora SATA Comtac que eu testei recentemente). Do lado dos softwares incompatíveis, o grande destaque são as compilações de 32 bits do Windows que não funcionam no modo UEFI.

Para contornar estes problemas foi criado um módulo de compatibilidade chamado de CSM (Compatibility Support Module): a grosso modo, é como se fosse um BIOS de legado dentro do firmware UEFI. Porém a Intel tem planos de extinguir este módulo das suas plataformas até 2020, o que segundo a mesma traria vantagens como a redução da complexidade do firmware, maior segurança e a redução da carga de retrocompatibilidade dos dispositivos de hardware.

Enfim, se os planos da Intel forem atingidos muitos dispositivos e softwares deixarão de funcionar com as novas plataformas que surgirem a partir desta época. É bom já começar a ir se preparando, principalmente no caso de sistemas de missão crítica.

Fonte: apresentação da Intel no Fall 2017 UEFI Plugfest (em PDF).

Comentários

  1. O que me incomoda é o tal de Secure Boot. Se esse troço for de uso forçado, sem opção para desativar, vai ser um problemão...

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    1. Sim, é a única preocupação. De resto, o CSM já vai tarde.

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    2. Segundo a Intel o uso do secure boot não será obrigatório.

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  2. Nossa, quando ganhei meu primeiro PC, um 486, o BIOS era algo metafísico. kkkkkk Mas pilhei mesmo quando me deparei com o BIOS de um 286, algo rústico, tudo mais manual. Enfim, configurar HD (cilindros, setores, etc), floppy, IRQs. O teste mais hardcore que já fiz foi quando tive um Duron. A placa permitia desativar os caches do processador e em uma revista (se bobear foi em alguma PCs) dizia que desativar os reduzia bastante o desempenho do processador e que deveria ser feito apenas para diagnosticar problemas. O fiz e vi um Duron Morgan de 1,2 GHz carregando o Windows 98 como se fosse um 8088 pois ficou insuportavelmente lento. Depois deste dia entendi melhor o funcionamento dos caches, sobretudo o L1.

    Hoje em dia os BIOS estão tão sem graça. Basta um comando e a placa se auto configura. =/

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    1. Alguns dos melhores BIOS/Setups que já vi em todos os tempos era o das placas Abit soquete A, aquilo era um prato cheio aos que gostavam de configurar tudo nos mínimos detalhes.

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