A epopeia de instalar o Windows 7 em um PC do século passado

Depois do ensaio com o Debian 8, o nosso bravo Pentium MMX passa por outra prova de fogo. Será que ele conseguirá rodar o Windows 7, considerado por muitos como o melhor sistema operacional da Microsoft? Confira aqui!


Os componentes

Eis o valente Pentium MMX de 233 MHz, objeto de desejo na sua época:


Para este laboratório decidi avaliar a placa mãe Tekram P5M4-M+, gentilmente doada pelo amigo leitor Diego Todeschini. Esta placa conta com o chipset Via Apollo MVP4 (chip ponte norte VT82C501 e ponte sul VT82C686A), considerado um dos melhores chipsets para a plataforma soquete 7 ao lado do Ali Aladdin V. Como a placa é no formato micro ATX infelizmente não conta com um slot AGP, visto que o chip ponte norte inclui uma interface de vídeo Trident Blade 3D integrada, a qual utiliza internamente a conexão AGP. 

Uma vantagem desta placa em relação à Asus P5A utilizada anteriormente é que o seu chip ponte sul VT82C686A oferece portas IDE UDMA4 (66 MB/s), enquanto que o equivalente do chipset Ali Aladdin V oferece apenas portas UDMA2 (33 MB/s). No geral a placa apresenta um bom acabamento e os seus ajustes da frequência do barramento frontal, multiplicador e tensão de alimentação são feitos através de jumpers, o que é normal em placas da sua geração.

A Tekram P5M4-M+

Como o processador gráfico Trident Blade 3D nunca foi lá essas coisas mesmo no seu tempo, utilizarei aqui a mesma placa de vídeo Riva TNT2 M64 PCI da Creative com 32 MB VRAM empregada no teste com o Debian.


Visto que o Windows 7 ocupa substancialmente mais espaço do que o Debian utilizei um disco rígido de 20 GB Samsung SV2001H. Este disco possui velocidade de rotação de 5.400 RPM, 2 MB de cache e interface IDE UDMA5 (100 MB/s). Note que esta é uma taxa de transferência máxima teórica, na prática nenhum disco rígido desta geração não chega nem perto de sustentar transferências de dados a 100 MB/s - desta forma a interface de 66 MB/s disponível na placa mãe é mais do que suficiente e até mesmo a utilização de uma interface de 33 MB/s não teria muito impacto no desempenho.


Complementam o conjunto 128 MB de RAM PC133, placa de rede Fast Ethernet (100 MB/s) PCI com chip Realtek 8139D, fonte ATX Thermaltake W0009 de 420 W, unidade de DVD IDE LG, teclado e mouse.
A instalação

A primeira tentativa não foi muito animadora: uma tela azul da morte (0x78) idêntica àquela observada na postagem sobre o Pentium MMX. Inicialmente pensei que se tratava de alguma incompatibilidade com a placa mãe Asus P5A utilizada, porém o problema se manifestou também na Tekram.


Para desencargo de consciência gravei outro DVD de instalação e funcionou! E olha que estava utilizando um disco original do Windows 7, vai entender!

Com a mídia original não funcionou...

... mas com uma cópia rodou lisinho. Coisa de louco!

Porém a alegria durou pouco: com apenas 128 MB de RAM o instalador sequer iniciava, acusando falta de memória.


Assim sendo instalei mais um módulo de 128 MB e outro de 256 MB, totalizando 512 MB, porém o sistema ficou completamente instável durante a instalação do Windows. Revisei cuidadosamente as temporizações do barramento de memória, sem sucesso. Realmente é difícil popular todos os slots de memória em placas mãe mais antigas – abaixo estão algumas telas mostrando os problemas verificados:




O ocorrido obrigou-me a remover um módulo de 128 MB, ficando desta forma com 384 MB de RAM. Felizmente com esta modificação o sistema ficou excepcionalmente estável e foi possível prosseguir com o experimento.

A dupla vencedora, a qual totaliza 384 MB de RAM

A montagem final

Sem brincadeira, embora não tenha cronometrado, a instalação levou facilmente mais de duas horas. Wow!

Eis a tela de propriedades do sistema: curiosamente o Windows 7 não reconhece corretamente o Pentium MMX, vai ver que jamais imaginaram que algum maluco iria instalar o sistema em um processador lançado em 1996! :p

Gostaram do nome da máquina, “sevenmmx”? :)

O gerenciador de dispositivos. Não há drivers nativos para a TNT2 e curiosamente mesmo desabilitado o vídeo integrado (Trident Blade 3D) é identificado, porém com um ponto de exclamação amarelo com o erro “o dispositivo não pode ser iniciado”.


Assim como no Debian 8, no Windows 7 o processador fica com 100% de utilização praticamente o tempo todo, o que inviabiliza qualquer utilização mais séria do equipamento.


Confiram o clássico vídeo de boot do sistema:


Para finalizar, mais uma vez gostaria de agradecer ao amigo Diego Todeschini pela doação da placa Tekram. É isto aí, espero que tenham curtido!

Veja também:

Comentários

  1. Respostas
    1. Também me divirto bastante fazendo tais experimentos!

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  2. Show! Muito épico. O mais incrível é no momento da imagem do Gerenciador de tarefas o sistema estar conseguindo fazendo cache. Comassim?!

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    1. Pois é, mesmo com tão pouca RAM o sistema ainda consegue fazer cache. Jamais subestimem o Kernel NT! :p

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  3. Opa, bacana ver a plaquinha servindo a seu propósito. Abraço.

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  4. Ainda carrega mais rápido que o meu Q8400.

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    1. rsrsrsrs
      Durante muito tempo usei o 7 com o meu Q6600 e ficava bom. Se não tiver coloque um SSD. É outra vida!

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  5. Lembro uma vez que consegui instalar o windows 3.11 e muitos aplicativos num amd386sx com 4MB, hd 100MB e placa de video e monitor CGA âmbar. Foi uma aventura.

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    1. :-)
      Isto me lembrou quando instalei o Windows 95 no meu 486 com 8 MB de RAM, outra aventura!

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  6. Hehehe!!!
    E eu que fiquei empolgado com meu mmx 233 rodando xp! consegui rodar o game Morrowind a uns dois quadros por segundo kkk!
    Agora to começando nova aventura num 486 dx4, gabinete reformado parecendo novo. Vou instalar win 3.1 e debian (distro antiga).
    Um dia pretendo "evoluir" para um 386!!!

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    1. hehehe, então veja a minha série sobre os 486! Montei um DX4-100 com DOS 6.22 + Windows 3.11 em dual boot com o NT 3.51. Confira:

      http://www.michaelrigo.com/2016/09/rebuild1-primeiro-pc-proprio.html

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