A arquitetura Intel Skylake e a obsolescência programada

Ultimamente anda pipocando pela Web algumas notícias sobre os processadores baseados na nova arquitetura da Intel, a Skylake, inclusive com supostos testes de desempenho realizados em versões de engenharia. Porém foi um “pequeno” detalhe técnico que mais me chamou a atenção: o soquete que estes novos modelos utilizarão, o LGA 1151. Em seis anos este será o quarto soquete diferente que a Intel utilizará para a mesma gama de processadores, confiram:

  • LGA 1156: 2009, utilizado pelos Lynnfield (45 nm) e pelos Clarkdale (32 nm), a primeira geração das CPUs Core;
  • LGA 1155: 2011, Sandy Bridge (32 nm) e Ivy Bridge (22 nm). A segunda e terceira gerações;
  • LGA 1150: 2013, Haswell (22 nm) e Broadwell (14 nm). Quarta e quinta gerações;
  • LGA 1151: 2015, Skylake (14 nm), sexta geração.

A dança dos soquetes da Intel, da esquerda para a direta: LGA 1156, 1155, 1150 e 1151.

Um soquete novo a cada dois anos com praticamente a mesma pinagem! Eu não tenho a menor sombra de dúvida de que a Intel conta com uma engenharia suficientemente capacitada para evitar este tipo de situação – porém na minha opinião é bem mais provável que isto se trate de uma manobra deliberadamente planejada para movimentar todo um ciclo de troca de placas mãe e consequentemente também de chipsets (mercado da mesma forma dominado pela Intel), os quais muitas vezes são produtos apenas renomeados como foi caso dos Z87 e Z97. E olha que estou falando apenas dos soquetes, sem entrar no mérito de limitações ainda mais artificiais como o fato de placas LGA 1150 Z87 tinindo de novas não suportarem os Broadwell que usam o mesmíssimo soquete! 

Por outro lado seria injusto dizer que a dança dos soquetes é uma exclusividade da Intel: nos seus anos de glória com a arquitetura K8 dos Athlon 64 (enquanto a Intel chafurdava com os Pentium 4 Netburst) a AMD também criou a sua própria dança, em outro perfeito exemplo de obsolescência programada: soquetes 754, 939, AM2, AM2+... e assim o nosso pobre planeta vai ficando cada vez mais ferrado

Que saudade da época dos soquetes 7 e 462 (este último também conhecido como soquete A) onde uma boa escolha na combinação placa mãe e chipset permitia efetuar diversos upgrades de processadores mantendo o conjunto, sem falar da ampla competitividade que havia nos mercados de processadores (Intel, AMD, Cyrix) e de chipsets (Intel, AMD, Nvidia, Via, Ali, SiS...). No caso das soquete A, por exemplo, quem comprou na época uma placa baseada no chipset Via KT133A (o primeiro chipset a suportar o barramento frontal de 266 MHz DDR) poderia instalar os Athlon Thunderbird, Palomino, Tbred-A e Tbred-B utilizando a mesma placa-mãe, quatro gerações do Athlon! E com alguma sorte e um overclock no FSB, dava para arriscar até com os Barton de FSB de 333 MHz DDR mesmo que resultasse em uma frequência do processador um pouco abaixo da nominal. Outros tempos...

Enfim, esperamos no mínimo que os Skylake realmente ofereçam um salto de performance que justifique uma troca completa de conjunto, visto que desde a transição dos Sandy para os Ivy Bridge as melhoras foram meramente incrementais e mais voltadas aos processadores gráficos integrados, o que para quem utiliza uma ou mais placas de vídeo discretas não faz a menor diferença.

Comentários

  1. Não tenho acompanhado os soquetes da Intel detalhadamente, porém dá para defender um pouco a AMD:

    Soquete 939 foi necessário (em relação ao 754) por causa do dual channel.

    AM2 foi necessário por causa de DDR2. No caso do AM2+, existiu preocupação com compatibilidade. Dava para instalar um processador AM2 numa placa AM2+ e vice-versa; no máximo uma atualização de BIOS era necessária. O desempenho caía um pouco ao colocar um processador AM2+ numa placa AM2 por causa do HyperTransport mais lento, mas funcionava.

    AM3 foi necessário por causa de DDR3. Modelos AM3 podem ser instalados em placas AM2 e AM2+! A AMD podia muito bem ter arrancado o controlador DDR2 fora se quisesse, mas preferiu deixá-lo no lugar. O controlador DDR2 só foi removido nos modelos AM3+, mas aí já estamos falando dos Bulldozer. Nessa época, as placas AM2 e AM2+ já estavam *bem* defasadas. Sem contar que placas AM3+ aceitam processadores AM3 sem problemas.

    No futuro soquete AM4, que será usado pelos Zen (ano que vem), teremos DDR4. Ainda não sabemos se o controlador DDR3 continuará presente e se haverá retrocompatibilidade com placas AM3 ou AM3+.

    No geral, a AMD tenta facilitar a transição de uma família para outra.

    Aquele tempo dos soquetes duradouros era quando o controlador de memória ficava no chipset...

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    1. Vamos lá: na minha opinião o soquete 754 foi completamente desnecessário, um verdadeiro tapa-buraco: a AMD poderia ter ido direto para o 939 e o uso ou não do dual channel dependeria de quantos módulos de memória fossem instalados. Os soquetes AM2(+) tem 940 pinos e os AM3(+) tem 938 pinos, ou seja, uma pinagem praticamente idêntica aos 939. Da mesma forma que a Intel, creio que a AMD tem uma engenharia suficientemente capacitada para evitar este tipo de situação, por exemplo, os AM2 poderiam também ter 939 pinos e uma controladora DDR, o que evitaria a obsolescência precoce das placas 939.

      Quanto ao fato dos processadores AM2/AM2+ e AM3/AM3+ serem em muitos casos intercambiáveis e a manutenção da controladora DDR2 até os AM3, concordo que são atenuantes para a AMD.

      Quanto aos Intel, os LGA 1156, 1155 e 1150 são para memórias DDR3, o que na minha opinião é mais um agravante.

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  2. Se seria possível ter aproveitado o 939 para DDR2 é algo que vale uma pesquisa. O fato é que, desde o 939, os demais soquetes da marca ficaram nessa média de pinos até hoje.

    Os soquetes 754 e 939 diferenciavam as linhas low/mid-end e high-end se bem me lembro. Realmente, se tivessem unificado apenas no 939 (removendo o dual channel nos modelos mais baratos), teria sido o 'soquete DDR' da época dos K8.

    A Intel é pior de qualquer maneira. Você deixou de fora os soquetes high-end LGA 1366 e LGA 2011 (este último com diferentes revisões incompatíveis entre si).

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    1. Nos Intel me foquei nos soquetes mid-end pela quantidade e pela grande similaridade entre eles (diferença máxima de seis pinos). Mas sem dúvida foi algo um tanto quanto sacana os novos processadores LGA 2011 não incluírem também uma controladora DDR3, o que permitiria utilizá-los com as placas 2011 com chipset X79.

      Quanto ao 1366, este foi um dos soquetes mais efêmeros de todos os tempos, talvez só sendo superado neste quesito pelo 423, o soquete dos primeiros Pentium 4 (os Willamette).

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  3. Tenho um processador Core I5-650, soquete 1151 que, infelizmente, já saiu de linha e não mais encontro no comércio a placa para ele. Na internet ela está custando pelo menos R$ 700,00. Isto é uma grande sujeira da Intel, provendo a obsolescência de seus produtos em tão pouco tempo...

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    1. Este é o grande problema do modus operandi da Intel. Tenho um sistema 1155 e está cada vez mais difícil achar tais placas, principalmente modelos intermediários e topo de linha. Torço para que a minha placa não dê problema pois pretendo ficar com ela por um bom tempo.

      Apenas uma pequena correção: o seu processador é soquete LGA 1156 e não 1151. Abraço!

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  4. Essa linha do tempo aí foi muito interessante... sanou um bocado de dúvidas, se é pra montar um novo, que tente montar no sistema mais novo então (1151) :-)
    P.S.: Na sua linha do tempo estão faltando sockets 370, 478 e 775 rsrsrs. Tive todos esses 3, de PIII em diante, agora que o 775 estragou é hora de montar o quarto PC :-)

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    1. Faltou também o soquete 423, utilizado pelos primeiros Pentium 4 Willamette...

      O soquete 370 foi outro caso clássico: os primeiros suportavam apenas os Celeron PPGA, a segunda revisão os PIII e Celeron Coppermine e a terceira os Tualatin. Incrível.

      Para montar um PC novo sem dúvida hoje em dia a preferência é pelo LGA 1151, 1150 só compensa se você encontrar placas e processadores bem mais em conta.

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    2. Olá de novo, sou o cara da GTX 1060 e H81M-A, eu tava muito na dúvida de montar um Kit upgrade 1151 ou apenas trocar o meu processador 1150, mas com o i7 4790k (li que posso colocá-lo na minha h81m-a/br se eu usá-lo apenas com o clock base, gostaria de saber isso também) custando seus 1700,00 temers fiquei sem saber o que fazer, eu só quero acabar com o gargalo que a 1060 está causando no meu i3 4160. E novamente muito obrigado pela duvida do slot Pcie x16.

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    3. Você joga em Full HD? Sugiro você fazer mais alguns testes para ver em que nível o seu i3 estaria supostamente "gargalando" a GTX 1060. Rode alguns jogos e benchmarks como o 3DMark com o RivaTuner ativado para observar o que acontece, por exemplo, veja se a placa está com pouca utilização e o processador "no talo".

      Se decidir trocar de processador, um i7 é um completo exagero e gasto desnecessário de dinheiro. Um i5 4460 ou 4590 já estaria de bom tamanho, e como a sua placa mãe é uma H81 não há a menor necessidade de comprar um processador "K".

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    4. Sim, jogo em um Monitor 1920x1080p @ 60hz, estou querendo montar um setup para realidade virtual, o mínimo seria o i5 4590, já testei meu i3 em Heroes of the Storm, Castlevania Lords of Shadow 2, Middle Earth: shadow of mordor, Warframe, todos nas configurações máximas, eu não monitorei o i3, mas ele fica BEM quente mesmo, dei uma olhada em uns testes no youtube e tinha um teste de um cara com a mesma config rodando BF 1 no ultra a mais ou menos uns 60fps, com o i3 colado no 99% e a 1060 em torno dos 60% de uso.

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    5. https://www.youtube.com/watch?v=4xpVzQ7DYUA esse é um teste de The Witcher 3 com o i3 4160 e uma gtx 1060. Desde já agradeço suas respostas, gostei muito do teu site e desde a primeira vez que tu me respondeu tem esclarecido bastante minhas dúvidas, muito agradecido, valeu mesmo!

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    6. Então pegue o i5 4590 e corra pro abraço! :-)

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  5. É evidente que a Intel tem interesses econômicos nesta mudança de pinagens e incompatibilidades entre eles...a AMD também, embora em escala menor e proporcionando retro-compatibilidade, o que é pelo menos uma consideração. A AMD tanbém lançou vários novos outros soquetes, FM1, FM2, FM2+ AM1.......uma confusão..... Eu hoje adotei o soquete FM2+ da AMD e não troco ele por nenhum outro. ótimas APUs e placas mãe com muitos recursos. Tenho um outro micro com LGA 1150 da Intel com um Celeron, que eu uso para gravações de audio e video e acesso à internet, ótimo custo benefício.... O FM2+ eu uso para jogar e assistir filmes em Full HD, inclusive está ligado na |TV.

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    1. Concordo plenamente. Eu tenho duas placas LGA 1155 (uma com um i7 3770K e outra com um Celeron G1610) e uma AM3+ (FX-6300), vão ficar comigo por um bom tempo.

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  6. Na disputa PC vs Notebook sempre escuto dizer que Note é portátil e PC tem garantia de upgrade.

    Hoje em dia isso é falso. Depois de 1 ano ou 2 é preciso rezar para que nada queime. As peças novas são incompatíveis. Nada de Upgrade.

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  7. Este é ÚNICO site que li falando sobre "obsolência programada" da Intel. Eu realmente fico com nojo deste tipo de atitude ... Comprei uma DDR3 HyperX e estou tendo dificuldades para achar um CPU que tenha suporte sem queimar a "rosca". My God ...

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