Athlon: quando a AMD deixou para trás o complexo de vira-lata (Parte 2 - Montagem)

Prosseguindo com a série sobre o glorioso Athlon, nesta postagem mostrarei o procedimento e os componentes típicos para a montagem de um sistema Slot A, que compreendem a placa mãe, módulos de memória, placa de vídeo e disco rígido. Apertem os cintos e boa viagem no túnel do tempo RETROWARE!



A placa mãe

Uma das primeiras placas mãe Slot A a chegarem ao mercado foi a Asus K7M, baseada no chip ponte norte AMD-750 que era o único disponível no lançamento do Athlon. Conforme mencionei na primeira parte, por algum motivo as primeiras revisões desta placa vinham em uma caixa sem qualquer identificação da Asus, coisa que a marca até hoje não explicou (diziam as más línguas na época que era para não deixar a Intel "chateada"). De qualquer modo a K7M se mostrou um bom produto, a altura do novo processador Athlon.





As características técnicas da placa são as seguintes:

  • Slot A;
  • Padrão ATX;
  • Chip ponte norte AMD-750;
  • Chip ponte sul Via 686A;
  • Três soquetes para módulos de memória SDR-SDRAM de 100 Mhz;
  • Duas portas IDE/ATA de 66 MB/s;
  • Slot AGP 2x;
  • Cinco slots PCI;
  • Slot ISA de 16 bits;
  • Slot AMR (Audio Modem Riser), que foi um slot relativamente popular no final dos anos 1990 para a conexão de placas de som e modems;
  • Quatro portas USB 1.1 (com duas delas no painel traseiro);
  • Áudio integrado Via AC97;
  • Duas portas PS/2 para mouse e teclado, duas seriais, uma paralela e uma porta MIDI (utilizada principalmente para joysticks antigos).



Chip ponte norte AMD e ponte sul Via. Pode isso Arnaldo?

Os mais atentos devem ter percebido que a placa possui um AMD-750 como chip ponte norte combinado com um Via 686A como ponte sul. Mas como isto é possível? Conforme já havia antecipado na primeira parte, no momento do lançamento do Athlon apenas a própria AMD possuía know-how para trabalhar com a nova sinalização do barramento frontal do Athlon, o EV6. Desta forma ela teve que produzir também um conjunto de chips de apoio (o chipset) para as primeiras placas mãe para o Athlon. O chipset AMD-750 possui as seguintes características:

  • Suporte ao barramento EV6 rodando a 200 Mhz (100 Mhz DDR);
  • Suporte a até 768 MB de RAM SDR-SDRAM operando a 100 Mhz;
  • Suporte ao barramento AGP 2x;
  • Chip ponte sul AMD-756.

Detalhe do chip AMD-750 (sob o dissipador), do Slot A e dos soquetes de memória

Mas por algum motivo (tudo indica que foi em função dos custos), todos os fabricantes que produziram as placas da primeira leva para os Athlon não utilizaram o chip ponte sul AMD-756, optando pelo Via 686A. Mas como é possível combinar chips de dois fabricantes diferentes?


Para responder a esta pergunta, precisamos relembrar de como era a arquitetura das placas mãe do final do século passado. Nesta arquitetura não havia um canal de dados dedicado para a comunicação entre os dois chips, que utilizavam o barramento PCI para tal finalidade - o PCI padrão de 33 Mhz e 32 bits possui uma taxa de transferência máxima teórica de 132 MB/s. Um detalhe: esta taxa de transferência não é exclusiva, mas também compartilhada com todos os demais dispositivos conectados ao barramento PCI.


Desta forma, como o PCI é um padrão aberto, não há maiores dificuldades para fazer dois chips de fabricantes distintos conversarem entre si. Na Asus K7M e nas demais placas que implementaram este arranjo, quem lidava com as complexidades do barramento frontal EV6, do AGP e da interface com a memória RAM era o AMD-750, enquanto que o Via 686A controlava os demais barramentos (PCI, ISA, USB...) assim como os discos rígidos e demais dispositivos IDE, e as unidades de disquete.

Detalhe do chip ponte sul Via 686A

Montagem e componentes

Antes de proceder com a montagem propriamente dita decidi reforçar a interface térmica entre o cartucho do processador e o dissipador de calor do cooler com um pouco de pasta térmica, visto que o Athlon clássico esquenta razoavelmente.




Para instalar um Athlon clássico não há segredo: basta alinhar as ranhuras presentes tanto no processador quanto no Slot A e gentilmente descer o cartucho com a ajuda das guias laterais. 

A seta indica a ranhura presente no Slot A

Quando o cartucho encostar no Slot A uma leve pressão é suficiente para encaixá-lo.


Processador instalado

Em conjunto será usado 512 MB de memória RAM SDR-SDRAM (um módulo de 256 MB e dois de 128 MB). Todos os módulos são de 133 Mhz mas operarão em 100 Mhz em função do controlador de memória do chip AMD-750 suportar somente módulos de até 100 Mhz.



A placa de vídeo utilizada é um outro clássico do final do século passado: uma Nvidia GeForce 3 Ti da Asus com 64 MB de memória de vídeo. A placa é AGP 4x mas que funcionará em 2x devido ao controlador AGP do AMD-750 ser 2x.



O disco rígido é um WD de 40 GB de 7200 rpm com 2 MB de cache de disco. Possui interface IDE/ATA-100 (taxa de transferência máxima teórica de 100 MB/s) mas operará em ATA-66 (66 MB/s) em função do chip ponte sul Via 686A suportar no máximo este modo.



Completa o kit uma unidade de DVD IDE, fonte ATX, teclado e mouse. A montagem não tem grandes mistérios, bastando encaixar os componentes nos locais adequados. No caso do disco rígido, deve ser utilizado um cabo de comunicação IDE/ATA (o chamado cabo "flat") de 80 vias para habilitar a taxa de transferência de 66 MB/s - com o cabo normal de 40 vias é possível atingir no máximo 33 MB/s.

Montagem finalizada

Na próxima parte demonstrarei o funcionamento do Athlon e farei vários testes de performance, incluindo um bastante interessante que acredito que vocês irão curtir. Até lá!

Próximo:

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Athlon: quando a AMD deixou para trás o complexo de vira-lata (Parte 1 - Apresentação)

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