Athlon: quando a AMD deixou para trás o complexo de vira-lata (Parte 3 - Desempenho)

Enquanto que na parte anterior desta série foi mostrada a montagem de um sistema com o processador AMD Athlon Slot A (clássico), na presente mostraremos a sua configuração e operação, inclusive demonstrando o seu funcionamento com um sistema operacional atual, o Windows 7, além de testes de overclock e alguns benchmarks. Como será que ele se saiu? Confira no texto!

Ligando o bichão!

Após concluir a montagem, foi com muita expectativa que o coloquei em funcionamento. Felizmente o conjunto iniciou de primeira e apresentou a tela da imagem acima, muito bom, sempre curto quando um equipamento antigo volta à vida desta forma, de prima! :-)

Configurando o Setup

Agora o próximo passo é configurar o Setup, que é o programa de configuração do firmware da placa mãe (BIOS). O Setup feito pela AMI da placa Asus K7M segue o padrão dos equipamentos da época, apresentando as configurações organizadas por abas. A primeira delas, a Main (principal), reúne as opções de data e hora, drives de disquete, discos rígidos e unidades ópticas. Um detalhe importante: o Setup desta placa é limitado a discos rígidos de no máximo 40 GB.



A guia Advanced concentra praticamente todas as demais opções do Seup. O menu Advanced CMOS Setup agrupa opções como a ordem do boot...



... enquanto que o Peripheral Setup concentra opções relacionados aos dispositivos presentes na placa. Duas opções interessantes desta tela são a Onboard Legacy Audio e a Sound Blaster, que permitem que o áudio on-board presente na placa (Via AC97) sejam detectados por softwares para MS-DOS que rodam no modo real, tais como jogos antigos.



Mas a diversão mesmo fica no menu Advanced Chipset Setup, onde é possível alterar a frequência do barramento frontal EV6 - os Athlon clássicos usam por padrão 100 Mhz DDR (200 Mhz efetivos). Esta também é a frequência aplicada ao barramento de memória do sistema (RAM), desta forma devem ser utilizados módulos SDR-SDRAM de ao menos 100 Mhz (também conhecidos como PC-100). Módulos de 133 Mhz podem ser usados sem problemas, embora funcionando em 100 Mhz, mas sem dúvida ajudam caso um overclock seja feito.

O chip ponte norte AMD-750 não possui divisores diferenciais para o barramento de memória, logo se o barramento frontal (FSB) tiver a sua frequência aumentada esta alteração também será aplicada à memória, sendo neste caso o uso de módulos de 133 Mhz altamente recomendado. A frequência dos barramentos PCI, AGP e até do antigo ISA também são sincronizadas pelo FSB, valendo 2/3 no caso do AGP (66 Mhz) e 1/3 para o PCI (33 Mhz). Já a frequência do barramento ISA por sua vez é de 1/4 do PCI, ou exatamente 8,33 Mhz.


Como o Athlon clássico possui o multiplicador de clock travado (que no caso do nosso exemplar de 600 Mhz o multiplicador é 6 - 100 x 6), não há opções de ajuste para esta parâmetro. Também não é possível ajustar a tensão de alimentação do processador (Vcore), que no Athlon clássico é de 1,6 - 1,65 V. 



Instalação dos sistemas operacionais

O hardware foi testado com a instalação dos sistemas operacionais Windows XP e Windows 7, logicamente de 32 bits. Para tanto, o disco rígido de 40 GB foi dividido em duas partições, uma de 10 GB para o XP e outra de 30 GB para o 7, ambas formatadas com o sistema de arquivos NTFS. A instalação do XP levou cerca de 40 minutos e a do Windows 7 tomou 1 hora. Ambas as partições foram desfragmentadas após a instalação.






E até que a inicialização do Windows 7 não ficou tão lenta, em torno de 1 minuto - o vídeo abaixo mostra o tempo de boot com este sistema. Já no Windows XP o Athlon de 600 Mhz se comportou com muita elegância, com respostas sempre rápidas.


Overclock

Os Athlon clássicos possuem um potencial apenas moderado de overclock, devido à sua litografia e ao fato do cache L2 não ser integrado no processador, mas sim um chip discreto. Por possuírem o multiplicador travado, a única forma de conseguir um overclock com este processador é subir a frequência do barramento frontal.

Como a Asus K7M não possui a opção de ajustar o tensão do núcleo do processador (Vcore), não restam muitas possibilidades para um overclock. O máximo que consegui com estabilidade foi subir o FSB para 105 MHz, resultando em uma frequência de 630 Mhz para o processador, 70 Mhz para o AGP, 35 Mhz para o PCI e 8,75 Mhz para o ISA. Com qualquer ajuste acima disto o sistema não fica completamente estável.



Testes de performance

Os softwares utilizados foram o Super Pi, Sandra 2012 SP5 e os 3DMark 2000 e 2001 SE. Os testes foram efetuados no Windows XP em função da dificuldade para obter drivers de dispositivos compatíveis com o Windows 7 para um hardware tão antigo, principalmente para a placa de vídeo. O resultado foi o seguinte:


O Super Pi mede o tempo para o cálculo do Pi para um determinado número de casas decimais - no teste foi utilizado 1 milhão de casas decimais ou 1M. Para termos uma ideia de como o hardware evoluiu nos últimos anos, o meu Core i7 2600K com overclock faz este cálculo na casa dos 8 segundos!

O Sandra Arithmetic mensura a performance da unidade de ponto flutuante (o co-processador matemático), o Multimedia mede a performance com aplicações multimídia (tais como a manipulação de imagens) e o Memory Bandwidth calcula a banda de dados do barramento de memória. Os 3DMark medem o desempenho em jogos 3D.






Finalizando, espero que tenham curtido este especial sobre a primeira geração do Athlon, que foi uma revolução para a sua época! Pretendo também manter esta padronização de testes para os equipamentos antigos analisados aqui no RETROWARE e compilar uma tabela comparativa entre os diferentes sistemas, que será atualizada a cada novo teste.

Comentários

  1. Cara! Sua página foi um achado. Encontrei uma placa dessas no meu sótão e também tive a ideia de "ressuscitá-la". Como não tinha quaisquer dados sobre ela, resolvi buscar ma internet. Encontrei a sua página. Fantástica, soberba, prática e muito elucidativa. Muito obrigado. Voltarei sempre que puder.

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