A política da terra arrasada

O Conde Temer sancionou o aumento do vencimento dos ministros do STF, que passarão a ganhar R$ 39,2 mil mensais. O rombo no orçamento será de pelo menos R$ 4 bilhões por ano.


Não entrarei no mérito sobre o merecimento de um ministro do STF a tão alto valor, após reajuste de 16% votado às pressas e que hoje foi sancionado pelo presidente Conde Temer. Falarei aqui da completa desconexão dos nossos parlamentares ao que acontece no país, castigado pela mais severa crise econômica da sua história. Talvez os nobres parlamentares não enxerguem das janelas dos seus gabinetes, mas aqui embaixo tem muita gente vendendo o almoço para garantir a janta!

Não por acaso muitos deles foram defenestrados pelas urnas na última eleição, e assim em minha opinião (será que ainda podemos exprimir a nossa opinião sem sermos processados neste país?) decidiram adotar a política da terra devastada para a próxima gestão, atingindo enormemente o futuro governo Bolsonaro. Afinal de contas, o rombo anual será de ao menos R$ 4 bilhões, uma vez que o salário dos ministros do STF é o balizador para o reajuste salarial de todo o judiciário, mesmo que informalmente, uma vez que não há um dispositivo legal que defina isto.

Enfim, nos resta torcer para que 2019 chegue logo e que os nossos novos representantes olhem mais pela população. Espero que nomes tais como Kim Kataguiri, Arthur do Val, Joice Hasselmann e o deputado federal que votei pelo Paraná (e que foi o mais votado daqui), o Sargento Fahur, apenas para citar poucos exemplos, sejam o contraste às velhas raposas políticas e ajudem o nosso presidente Bolsonaro a promover as reformas que tanto precisamos. E que os parlamentares que se despedem não consigam se eleger nem para síndico mais.

Comentários

  1. Acredito que as novas raposas vão aprender rápido que é difícil desmembrar uma estrutura consolidada de privilégios que se construiu durante séculos. O silêncio sobre o aumento me parece um indicativo significativo.

    E não tenha preocupações ao emitir sua opinião: estamos em um país "livre". Todos tem o direito de emitir sua opinião: associações de classe, sindicatos, blogueiros, jornalistas, empresas, igrejas... Processo mesmo só se for professor.

    Devemos aproveitar bem o direito de emitir nossas opiniões, pq já houveram períodos nefastos da história nacional nos quais a opinião divergente podia render consequências bem mais severas que um processo.

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    1. Professores são justamente os mais livres para exercerem a sua opinião ou doutrinação, como prefiram. São os seus alunos os censurados, quando as suas opiniões são contrárias às deles.

      Experimenta falar que votou no Bolsonaro em alguma UF ou escola pública, seja aluno ou mesmo funcionário. Que democracia é esta, que eles dizem defender?

      Quanto ao resto, eu até ia responder mas me deu uma canseira...

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    2. Na verdade, o q mais sinto falta na formulação de políticas públicas é a ciência como base. Quais estudos indicam que os professores são doutrinadores? Qual o percentual de estudantes que muda de opinião após serem expostos à opinião de um professor?

      Depois de expor esses resultados, cabe pesquisar como os países com melhor desempenho educacional tratam a exposição das opiniões dos professores em sala de aula?

      Depois de tudo isso, poderia se pensar em políticas de orientação para os profissionais da educação. E, em persistindo um eventual problema, poderia se pensar em alguma medida regulatória.

      Mas, aqui é o Brasil. E a estupidez reina, sendo até motivo de orgulho.

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    3. Bem, para constatar a doutrinação dos professores basta uma observação empírica: entrar em qualquer universidade federal. Se eles não tivessem o que esconder, porque então não deixam que as aulas sejam filmadas?

      E posso afirmar que esta doutrinação vem pelo menos desde a década de 1980, pois quando eu ainda estava no primeiro grau dava para contar nos dedos os professores que não doutrinavam, principalmente nas cadeiras de história, geografia e a antiga OSPB (Organização Social e Política Brasileira). Até mesmo em literatura e língua portuguesa havia doutrinação.

      Neste ponto eu sigo o pensamento do Prof. Olavo de Carvalho: ao invés da "escola sem partido", deveria haver a "escola de todos os partidos", o que não existe hoje aos que discordam do posicionamento político dos professores.

      Por fim, apenas um exemplo (dentre muitos que são noticiados) que sai da pura observação empírica:

      https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/12062/petista-ex-reitor-de-universidade-espanca-enteado-que-comemorou-vitoria-de-bolsonaro

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    4. Achei excelente o seu depoimento. É o exemplo concreto do pensamento que baseia o planejamento de nossas políticas: experiências pessoais, casos isolados e a ideologia de pseudointelectuais.

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    5. Da mesma forma também achei excelente o vosso depoimento. Confirma aquele velho ditado popular, que o pior cego é aquele que não quer ver.

      Mas realmente me admira que alguém tão inteligente e capacitado ainda perca o seu precioso tempo lendo um simples blog de um pseudointelectual.

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    6. Adoro seus post sobre retrocomputação. Os de política eu comento para que você e os demais leitores tenha acesso ao contraditório. Muitas vezes estamos fechados em nossas bolhas de conhecimento, e é bom saber que existem pessoas que pensam diferente. Conhecer os argumentos do outro nos ajudam a refletir sobre os nossos próprios, além de reconhecer que existe inteligência no outro também, independente dos pontos de vista sensíveis.

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    7. Rapaz, você demonstra ser uma pessoa com uma capacidade bem acima da média. Talvez tenhamos escolhido os termos errados para nos expressarmos.

      Um forte abraço e grato por prestigiar o meu trabalho.

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    8. Veja q artigo interessante da BBC. Sempre é bom conhecer a história para entender o nosso contexto... Identifico muito nossa realidade nos 3 últimos parágrafos.
      https://www.bbc.com/portuguese/internacional-46502709

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