Rebuild #2: o meu PC dos sonhos em 1998 (Parte 4 – Pentium MMX Super 7)

E se a Intel tivesse aderido ao padrão Super soquete 7? Confira aqui esta viagem histórica!



O contexto histórico

O soquete 7 foi o último soquete “democrático” presente nos PCs. Além da própria Intel que o desenvolveu, demais fabricantes de processadores como a AMD e a Cyrix licenciaram o padrão e assim podiam legalmente utilizá-lo sem problemas: nesta época era comum termos placas-mãe com chipset Intel, como os 430TX e 430VX, equipadas com processadores AMD (ou Cyrix), algo inimaginável atualmente.

Para o Pentium II lançado em 1997 a Intel decidiu abandonar o soquete 7 e desenvolveu uma nova interface mecânica, elétrica e de sinalização chamada de Slot 1, onde o processador teria o formato de cartucho. Mas desta vez ela não licenciou o padrão aos demais fabricantes, acreditando que eles seriam incapazes de desenvolver um formato próprio e aumentando assim a pressão (ou seria opressão?) sobre os mesmos.

Placa-mãe Slot 1


Assim restava à AMD e à Cyrix usar o antigo soquete 7, que já começava a sentir o peso da idade: era oficialmente limitado ao barramento externo de 66 MHz e não tinha suporte ao AGP, padrão que tomava de assalto o mercado de placas de vídeo. As duas resolveram ir à luta e criaram um consórcio para propor uma revisão modernizada do soquete 7, chamada de Super 7, que teria suporte ao barramento externo de 100 MHz e ao AGP, mantendo a mesma interface mecânica, elétrica e de sinalização. Além da AMD e Cyrix, participaram do consórcio empresas fabricantes de chipsets como a Via, Ali e SiS.

Vendo em retrospectiva, fica claro que para a AMD o Super 7 foi um mero tapa buraco até que o projeto do Athlon maturasse, visto que este processador usa o barramento frontal com a sinalização EV6 oriundo dos DEC Alpha, completamente diferente da sinalização do soquete 7 e do Slot 1 (AGTL). O Athlon somente seria lançado em 1999.

Intel Super 7

Agora começa a viagem: e se o Slot 1 não houvesse existido e a Intel tivesse participado do consórcio que criou o Super 7? Como a placa-mãe Asus P5S-B (chipset SiS 530) utilizada neste projeto é Super 7, fiz algumas simulações para termos uma ideia de como seria um hipotético Pentium neste padrão.

O Pentium MMX de 233 MHz oficialmente usa o barramento externo de 66 MHz e o multiplicador 3,5. Inicialmente aumentei o barramento frontal para 100 MHz e reduzi o multiplicador para 3: o sistema até dá vídeo, porém congela no POST. Mesmo aumentando o Vcore em 0,1 V (não vou além disto) o comportamento persistiu.

Pentium MMX 300 MHz Super 7. Pena que não deu certo

Assim não restou-me alternativa senão reduzir o multiplicador para 2,5. Mas resolvi compensar de outro lado: aumentei o barramento frontal para 112 MHz (o máximo permitido pela Asus P5S-B), resultando em 280 MHz.


E não é que ele ficou estável nesta frequência com o Vcore em 2,9 V? O interessante é que o barramento em 112 MHz impacta todo o sistema: o PCI vai para 37,33 MHz, o ISA para 9,25 MHz (este é possível ajustar manualmente) e o barramento da memória também vai para 112 MHz, o que no caso não é um problema pois os módulos são PC133.

A frequência de operação foi confirmada pelo Norton System Info, PC-Config e SpeedSYS. 😆

Um 80486 de 269 MHz… lol



A temperatura continuou muito boa, graças ao cooler utilizado e a pasta térmica (veja todos os detalhes do hardware deste PC na primeira parte da série).


Para uma maior estabilidade mantive os módulos de memória com a temporização 3-3-3. A opção ISA Bus Clock permite alterar o divisor que será aplicado na frequência do PCI para obter a do ISA.


Este ensaio mostrou algo que poucos na época exploraram: para quem tinha um Pentium clássico, K5, Pentium MMX, K6 ou Cyrix 6x86 (principalmente os três últimos) trocar a placa-mãe por uma Super 7 era um upgrade bom e barato. Estas placas não eram caras (mesmo no Brasil) e o barramento  externo de 100 MHz permitia um ganho de performance razoável a estes processadores, além do suporte ao AGP.

Na próxima parte mostrarei os benchmarks do Pentium MMX 233@280 MHz, que resistiu bravamente à torturante maratona e obteve resultados muito interessantes. Até! 😉

Comentários

  1. Oloco, bixo! Um Pentium MMX a 280 MHz? E eu na minha simplória inocência achando que um MMX tunadaço seria um de 250. Quanta meninice, a minha. To mais do que curioso pra ver do que esse MMX Super Sayajin é capaz. Será que faz frente aos K6 e K6-2 de 266 e 300 MHz, de FSB 66 e 100 MHz Aguardem as cenas dos próximos capítulos :)

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