A profissão de TI será finalmente regulamentada?

Desde que eu estava na faculdade durante a década de 1990 ouço que o Projeto de Lei que previa a criação dos CREIs (Conselhos Regionais de Informática) estava para ser votado. Conforme os anos foram se passando, a expectativa virou frustração. Pois bem, há agora um novo fio de esperança: o Sindpd irá elaborar a minuta de um novo Projeto de Lei para a regulamentação da profissão, e o presidente interino Michel Temer prometeu que irá levar para apreciação do Congresso Nacional.

Fazia tempo que queria escrever algo sobre a profissão de TI e esta notícia foi o empurrão que faltava. Pois bem, a regulamentação da profissão é algo que necessitamos urgentemente. É realmente difícil atuar em um mercado não regulamentado: não temos mecanismos de proteção contra abusos e até para a concorrência desleal de aventureiros que não tem nada a perder, e o que é pior, acabam por muitas vezes macular a imagem do profissional de TI. Claro que em toda e qualquer área há profissionais bons e ruins. Porém em TI há os bons, os ruins e os pé de chinelo.

E ainda existem “profissionais” de TI sem noção que dizem algo como: “mas se regulamentar vamos ter que pagar anuidade!”. Se você pensa assim amigo, tenho duas coisas a dizer. Primeira: vá para a puta que o pariu. Segunda: feche a aba do seu navegador e nunca mais entre aqui. Por uma profissão regulamentada eu pagaria a anuidade sorrindo de orelha a orelha.

Cito um exemplo pessoal do mal que a falta de regulamentação causa: sou Bacharel em Ciência da Computação e Especialista em Administração de Empresas, porém não posso em hipótese alguma exercer a profissão de Administrador. Mas o camarada formado em Administração (assim como em qualquer outro curso) com pós na área de TI pode atuar no nosso mercado sem problema algum, inclusive prestar concurso público. O próprio Sindpd tem uma atuação bastante limitada em empresas cuja atividade-fim não seja TI. Trocando em miúdos: se você possui formação e trabalha com TI em uma empresa que não seja de TI, está mais ferrado ainda visto que nem sindicato próprio você terá. É o meu caso.

Finalmente, deixo um conselho principalmente aos jovens que estão ingressando no mercado agora: não se prostituam. Sei que devido ao momento pelo qual a economia passa é difícil dizer isto e temos contas a pagar no final do mês, mas não contribua para que o mercado fique nivelado pelo pé de chinelo. Quando era ainda programador freelancer, assim que apresentava um orçamento de análise e desenvolvimento não raramente ouvia algo como “mas o fulano da esquina faz pela metade!”. E sempre respondia: “então faça com ele!”. E o melhor: tive casos de clientes que contrataram o tal “fulano da esquina” e que depois de algum tempo voltavam a me procurar para arrumar a caca. A conversa era assim:

- Sim, posso consertar o problema, mas agora o valor é X * 2.
- Por que vai aumentar? Absurdo!
- Porque agora além de implementar o projeto original também vou ter que limpar a caca do “fulano da esquina”.

Caros profissionais de TI, os vossos diplomas são valiosos demais e não foram achados no lixo. Lutemos unidos para que a nossa profissão seja finalmente regulamentada!


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Comentários

  1. Não é bem assim amigo!

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  2. Na minha opinião, a regulamentação é um primeiro grande passo para defesa da atividade legítima e valorização da profissão.
    Digo primeiro passo porque o segundo e tão importante quanto é a fiscalização e atuação do futuro conselho nesse sentido: isso porque não raramente os conselhos - ou melhor, algumas pessoas e colegas neles - acabam buscando vantagens pessoais em detrimento de sua real finalidade, e isso sim gera uma grande revolta ao pagarmos quase quinhentos reais por ano e não vermos retorno à altura.
    Traçando um paralelo com o que vivencio em minha profissão há quinze anos, frequentemente temos a impressão de um conselho burocrático e que se preocupa muito em interferir e normatizar nosso trabalho e pouco em defender os profissionais. Por outro lado, é preciso reconhecer que ele faz seu papel ao dificultar o exercício ilegal da profissão por terceiros, então acredito que a regulamentação é sim bastante positiva ao criar mecanismos legais de punição, que se não forem devidamente usados pelo conselho ainda podem ser invocados eventualmente pelo próprio profissional na esfera judicial.
    No caso de conselhos mais novos, como o da Helen, já se tem uma explícita falta de estrutura física e humana, mas especialmente dúvidas quanto ao direcionamento do trabalho da entidade, e em termos práticos não se vê muitos resultados... Todavia com o tempo e cobrança dos próprios profissionais penso que essa situação deve gradualmente melhorar.
    Enfim, tomara que o projeto avance, e a categoria possa se unir em sua defesa (essa união é uma outra conversa, pois a dita "prostituição" existe com ou sem regulamentação, e conhecemos bem isso.
    Abçs!

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    1. Agradeço imensamente pelo comentário e concordo plenamente. Acrescentaria apenas que em minha opinião mesmo o pior dos conselhos é melhor do que não ter nenhum.

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